Por: Kátia Muniz cronicaskatia@live.com
Amo fazer supermercado. Gosto tanto que, no mínimo, três vezes por semana estou lá marcando presença.
Se por acaso você vir o mesmo carro, rodando, rodando, rodando dentro do estacionamento, não tenha dúvida: sou eu ao volante. Gosto de estacionar o mais próximo possível da porta de entrada. Isso tem nome: não, não é loucura, é mania. Cada um com a sua. Carro estacionado. Desço, alegremente, para o meu lazer.
Escolho um carrinho e por sorte as rodinhas funcionam em harmonia e em sintonia. Analiso rótulos, vejo prazos de validade, preços e por mais que o governo insista em dizer que a inflação está estabilizada, eu não compartilho da mesma opinião.
Prossigo. Durante o trajeto peço umas duzentas licenças para as outras pessoas que insistem em deixar seus carrinhos no meio do corredor. Supermercado deveria ter acostamento entre as gôndolas. Sigo felicíssima! Escolho frutas e verduras e não me irrito em hipótese alguma com aqueles saquinhos que nunca consigo abrir de primeira.
Pronto, que maravilha, carrinho abarrotado, agora vem o êxtase: enfrentar a fila para o caixa. Sem problemas, aproveito para bolar o cardápio da semana. Tempos depois: chegou a minha vez. Ai que delícia que é tirar tudo do carrinho e colocar na esteira. Um, dois, três, quatro, são várias as flexões de coluna. Devo perder horrores de calorias com essas repetições. Talvez nem precise de academia.
Ajudo o empacotador, é importante ser solidária, embora saiba que a função é dele e está embutida no custo. Meu coração entra em taquicardia com o valor da conta, e aproveito o embalo da aceleração para dar início a outra série de flexões, agora, tirando as sacolas da esteira e colocando-as novamente no carrinho.
Continuo achando tudo ótimo. Mais uma série se realiza enquanto retiro as compras do carrinho, um, dois, encho o porta-malas, e daqui a pouco, três, quatro, tudo estará resolvido, cinco, seis…
Enfim, em casa! Hora da mulher-polvo entrar em ação. Bolsa, chave do carro, chave da casa, várias sacolas com pesos diferentes, vou equilibrando tudo, sem esquecer de manter o sorriso de orelha a orelha. Tranquilíssimo! Só resta distribuir as compras nos armários, na geladeira e no freezer.
Ah a ironia! Também faz parte do cotidiano.
