O secretário de Planejamento e Desenvolvimento Portuário da Secretaria de Portos, Rogério Menescal, apresentou na última sexta-feira, em Curitiba, o plano do Governo Federal para concessão de áreas do Porto de Paranaguá. Segundo ele, os investimentos devem chegar a dois bilhões e 600 milhões de reais. Em audiência na Federação das Indústrias do Estado do Paraná, Fiep, Menescal disse que serão licitados 10 novos terminais abrangendo as áreas de grãos, fertilizantes, granéis líquidos, celulose, carga geral e veículos. Paranaguá ganhará seis novos berços. Os empreendimentos integram o segundo lote de licitações do Governo Federal, seguindo as diretrizes do novo marco regulatório dos portos.
O plano apresentado por Menescal, segundo material divulgado pela agência do Estado, não agradou boa por parte dos cerca de 200 empresários e representantes da comunidade portuária, agrícola e industrial que participaram da audiência. Empresários, produtores, membros de cooperativas e representantes da sociedade civil se disseram preocupados com as propostas do governo federal. O secretário da Infraestrutura e Logística, José Richa Filho, disse que lamenta a decisão do Governo Federal, pois entende que o Porto de Paranaguá foi tratado como os demais terminais.
O principal questionamento dos paranaenses é que a proposta da União desvirtua o que foi discutido na elaboração do Plano de Zoneamento e Desenvolvimento do Porto Organizado. O plano estadual traça as perspectivas de crescimento do Porto de Paranaguá para os próximos 20 anos.
O presidente da Fiep, Edson Campagnolo, disse que o projeto do Governo Federal não atende todas as demandas do Paraná e que as audiências públicas serão muito proveitosas. Ele afirmou que se o Brasil quiser se posicionar como uma grande potência mundial tem que ter uma porta de entrada e de saída nos moldes do que acontece nos outros países.
Para o presidente do Sistema Ocepar, João Paulo Koslovski, o plano apresentado não contempla nenhum espaço especial as cooperativas paranaenses, que respondem por 20 milhões de toneladas de grãos e por 40% dos frangos exportados no Brasil. Outro setor que discordou da proposta federal foi o sucroalcooleiro, uma vez que o embarque de açúcar ficou próximo do corredor de exportação de grãos. Sérgio Malucelli, presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Paraná, Fetranspar, ressaltou que esta proposta está diferente do que o setor discutiu no Paraná e não levam em conta a demanda local.
Já o prefeito de Paranaguá, Edison Kersten, que acompanhou a apresentação, afirmou que agora é o momento de toda a comunidade local se organizar para discutir as propostas. A consulta pública terá início oficialmente nesta segunda-feira e se estenderá até o próximo dia 25
Conforme declaração da Ministra da casa civil Gleisi Hoffmann, o estado do Paraná vê o porto de Paranaguá como um ponto local, já o governo federal vê como um todo, fazendo parte do geral no país, servindo aos propósitos da nação e não de interesses particulares de um determinado grupo de pessoas.