Por: Kátia Muniz cronicaskatia@live.com
A morte é sempre uma perda devastadora em qualquer circunstância. Mas a gente passa boa parte da nossa vida sem pensar nela. Só quando o tempo vai avançando, avançando, e as velinhas já não cabem em cima do bolo, de tantas que são, é que começamos a assimilar com maior clareza essa única certeza da vida.
A gente tem essa mania de se iludir quando o assunto é a finitude, mas a morte nos ronda e nos espreita a todo o momento. Ninguém está livre de uma bala perdida, de um acidente de trânsito, de uma doença grave, podendo esses exemplos culminar em finais trágicos, tenha você 1 ou 80 anos.
E morrer jovem redobra a dor para quem fica. O curso normal é envelhecer e só depois morrer. Ocorrendo antes é uma alteração de percurso, é inaceitável, é um erro, uma falha.
Estou nessa introdução que já tomou três parágrafos para falar sobre o livro “Paula” da escritora Isabel Allende.
Nele, a autora narra sua infância, sua juventude, o golpe militar de 1973 no Chile e a morte precoce da sua filha.
Mesmo falando de um assunto que não é brando, a história nele retratada é de uma força espetacular. Seus registros acompanham a longa trajetória da filha no hospital e foi escrito com o intuito de serem entregues a Paula, quando ela, enfim, se libertasse do drama.
Com uma narrativa cheia de detalhes, a autora consegue nos carregar para dentro daquele hospital, onde os minutos se arrastam em anos. Há a luta constante na busca de todo tipo de recurso para a cura da doença e o entendimento de que num determinado momento não há mais nada a se fazer.
Não deve ser fácil para uma mãe ou pai ver seu filho ou sua filha indo embora aos poucos, em pequenas doses, atravessando os dias sem nenhum sinal de melhora, ou tendo em poucos minutos o quadro agravado. Mas, infelizmente isso acontece, aqui, ali, acolá e em toda parte.
Amanhã será Dia de Finados, por esse motivo resolvi abordar o assunto.
Finitude também faz parte do cotidiano e a nossa maior dificuldade consiste justamente em não saber com ela lidar.
