Por: Katia Muniz cronicaskatia@live.com.br
Por que ele e não eu, Mariana?
Era 1980, quando Pedro, perdido de amor por Mariana, colocou-a contra a parede.
Se ele tivesse perguntado a ela: “Qual é a capital da Austrália?”, “O que Papai Noel faz nos outros meses do ano?”, “Em que mês morreu Getúlio Vargas?”.
Mariana, muito astuta e inteligente, teria respondido. Mas quem sabe responder as coisas que envolvem o coração?
Pedro só tinha olhos para Mariana, mas ela dedicava os seus a Fabrício. Tudo muito inspirado nos lindos versos de Drummond.
Porque ficção, arte, literatura e realidade têm a mania de se misturar.
Na sua vida, leitora, também devem ter passado João, Antônio ou algum Fernando.
E quem sabe na sua, leitor, Bia, Suzana ou Maria.
Passaram, mas não ficaram.
E que explicação se tem para preferir um e preterir outro?
Pode ser o jeito de mexer o cabelo, pode ser a voz, o cheiro, o carinho, o silêncio, as palavras colocadas no momento certo, a beleza, a altura, a cor da pele, o jeito de ser, o caráter, a maneira como encara a vida, a situação financeira definida, o romantismo e as trezentas mil outras coisas que fizeram bater seu coração, de maneira diferente, por alguém.
Pedro sofreu por amor.
Mas se não foi Pedro o escolhido, também não foi Fabrício. Mariana arriou os quatro pneus pelo Mário.
Mário e sua estatura diminuta.
Mário e seu jeito tranquilo.
Mário todo certinho.
Mário e seu cabelo sem um fio fora do lugar.
Mário e sua semelhança com o Barney dos Flinstones.
Mário chegou como quem não quer nada, arrebatou o amor de Mariana e não deixou brechas para nenhum outro candidato.
As amigas perguntavam: “O que você viu no Mário, Mariana?”.
O que Mariana viu guardou para ela. Sem dar ouvidos a ninguém, trocou alianças com o Barney, digo, Mário.
Mariana e Mário: uma fusão de “emes” que já dura algumas décadas.
Publicada no jornal Diário do Comércio do dia 13 de junho de 2014
