Crônica do Dia

537177_250360158430555_1992762965_nSupermercado

Por: Kátia Muniz                                                                        cronicaskatia@live.com

 Amo fazer supermercado. Gosto tanto que, no mínimo, três vezes por semana estou lá marcando presença.

Se por acaso você vir o mesmo carro, rodando, rodando, rodando dentro do estacionamento, não tenha dúvida: sou eu ao volante. Gosto de estacionar o mais próximo possível da porta de entrada. Isso tem nome: não, não é loucura, é mania. Cada um com a sua. Carro estacionado. Desço, alegremente, para o meu lazer.

Escolho um carrinho e por sorte as rodinhas funcionam em harmonia e em sintonia. Analiso rótulos, vejo prazos de validade, preços e por mais que o governo insista em dizer que a inflação está estabilizada, eu não compartilho da mesma opinião.

Prossigo. Durante o trajeto peço umas duzentas licenças para as outras pessoas que insistem em deixar seus carrinhos no meio do corredor. Supermercado deveria ter acostamento entre as gôndolas. Sigo felicíssima! Escolho frutas e verduras e não me irrito em hipótese alguma com aqueles saquinhos que nunca consigo abrir de primeira.

Pronto, que maravilha, carrinho abarrotado, agora vem o êxtase: enfrentar a fila para o caixa. Sem problemas, aproveito para bolar o cardápio da semana. Tempos depois: chegou a minha vez. Ai que delícia que é tirar tudo do carrinho e colocar na esteira. Um, dois, três, quatro, são várias as flexões de coluna. Devo perder horrores de calorias com essas repetições. Talvez nem precise de academia.

 

Ajudo o empacotador, é importante ser solidária, embora saiba que a função é dele e está embutida no custo. Meu coração entra em taquicardia com o valor da conta, e aproveito o embalo da aceleração para dar início a outra série de flexões, agora, tirando as sacolas da esteira e colocando-as novamente no carrinho.

Continuo achando tudo ótimo. Mais uma série se realiza enquanto retiro as compras do carrinho, um, dois, encho o porta-malas, e daqui a pouco, três, quatro, tudo estará resolvido, cinco, seis…

Enfim, em casa! Hora da mulher-polvo entrar em ação. Bolsa, chave do carro, chave da casa, várias sacolas com pesos diferentes, vou equilibrando tudo, sem esquecer de manter o sorriso de orelha a orelha. Tranquilíssimo! Só resta distribuir as compras nos armários, na geladeira e no freezer.

Ah a ironia! Também faz parte do cotidiano.

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