Crônica do Dia

537177_250360158430555_1992762965_nEscapes e fugas

Por: Kátia Muniz                                                                   cronicaskatia@live.com

 “Ninguém segura o rojão da realidade 24 horas por dia”. Pincei esta frase de um texto da escritora Martha Medeiros.

É verdade, ninguém segura, por isso precisamos tanto dos nossos escapes.  Que escapes são esses?  Pode ser um futebolzinho no final de tarde, um bate-papo com as amigas, uma caminhada para oxigenar o cérebro, um esporte para liberar a adrenalina, subir uma montanha, nadar, pescar, assistir a um bom filme, tocar um instrumento, dançar, ficar de papo pro ar, qualquer coisa que nos dê a sensação de prazer, de reabastecimento, de encontrarmos a energia necessária para aguentar o batente e os percalços do dia a dia. São escapes necessários e que servem para dar um equilíbrio à vida.

Mas para muitas pessoas, só os escapes leves e cotidianos não tem resolvido. Tem muita gente se aventurando em algo mais radical: a fuga da realidade.

Você foge quando se deixa levar por fantasias, quando se transporta para mundos imaginários, quando cria ilusões. Você foge nos momentos em que precisa tomar decisões, em que se obriga a fazer enfrentamentos, em que a vida exige de você maturidade e responsabilidade.

Reconheço que entro num terreno em que não domino: a psicologia. Não sou do ramo, mas arrisco.

Quem quer a parte chata? Quem deseja contas a pagar, problemas a resolver, saúde debilitada, casamentos de fachada, filhos que aprontam e nos desapontam e desilusões amorosas.

Assim, tenho visto e observado fugas conscientes e outras tantas inconsciente de gente que anda meio perdida, sem saber direito o que fazer com o pacote de frustrações que a vida traz, e se encarrega de nos entregar sem que a gente assine nenhum bilhete de recebimento. Pronto. Entrega feita. Agora, é com você.

Fugas onde se buscam momentos de respiro e de alívio. Fugas onde se quer um esconderijo, uma caverna qualquer que nos abrigue e que nos poupe de encarar os fatos que nos assustam, que nos decepcionam, que nos causam incômodo ou alguma dor. Inútil: tudo o que a gente pensou que deixou para trás nos espera ansiosamente bem do lado de fora.

Compartilhando Notícias com os ouvintes da Rádio Ilha do Mel FM

Na última sexta-feira, dia 11 de outubro, estivemos participando do programa Rede Notícias falando sobre vários assuntos e começamos a participação de forma irreverente. Confira.

Neste dia, também, falamos sobre a crônica da Kátia Muniz que já está publicada no Blog desde sábado, dia 12.

Crônica do Dia

537177_250360158430555_1992762965_nAs mães e seus super-heróis mirins

Por: Kátia Muniz                                                                   cronicaskatia@live.com

 Que carnaval que nada. Os meninos extrapolam fevereiro e vivem a fantasia o ano inteiro. É muito fácil cruzar com algum Homem-Aranha, Super-Homem e Batman, para ficar nos exemplos dos clássicos. Como também é fácil encontrar uma mãe puxando pela mão esses pequenos heróis devidamente caracterizados.

E elas estão cheias de histórias para contar:

“Você acredita que ele se lançou contra a janela porque imaginou que poderia voar igual ao Super-Homem? Ainda bem que lá no apartamento tem tela de proteção. Mas, mesmo assim é preciso ficar de olho”.

Outra: “se você visse como está o muro que há pouco tempo foi pintado! Cheio de pegadas e marcas. Porque ele vive pendurado, escalando, tal qual o Homem-Aranha. Tá vendo essa fantasia? Ele tem três, mas quer ficar enfiado nessa. Fico a imaginar a cor da água quando eu colocar essa roupa para lavar”.

Mais uma: “veja se tem cabimento, sair assim, fantasiado de Batman nesse calor insuportável! Se ainda fosse uma roupa fresca, mas nem isso. E fale para ele tirar para ver o chororô que dá”.

E lá vão eles sacudindo suas capas e mal conseguindo respirar dentro das máscaras. Lá vão eles acreditando que têm superpoderes, que podem ganhar os céus a voar, que são capazes de liberar teias pelas mãos, que podem ficar pendurados em prédios, que estão habilitados a dirigir o batmóvel, a capturar os bandidos e a salvar o mundo. Lá vão eles emitindo sons onomatopéicos, saltando, pulando, imitando a contento a figura encarnada. Lá vão eles sonhando, fantasiando, montando histórias, tão compenetrados no maravilhoso mundo imaginário.

E se perguntar ao Super-Homem o que ele vai ser quando crescer é bem possível que ele diga que será repórter como Clark Kent. O Homem-Aranha mesmo trazendo um João Felipe na certidão de nascimento, só aceita ser chamado de Peter Parker. E não adianta repetir o verdadeiro nome da cidade onde mora o pequeno Batman, para ele, é Gothan City e fim de papo.

E lá vão elas com eles a tiracolo sempre apressadas, atribuladas, com inúmeras tarefas, tentando dar cabo à agenda de compromissos, enquanto atendem uma e outra chamada no celular, enquanto entram e saem dos postos de combustíveis, dos supermercados, das lojas, dos bancos, das lotéricas, dos consultórios médicos. Sempre muito bem acompanhadas, sempre muito bem protegidas, e ainda não se dando conta que não é para qualquer uma ter um super-herói assim à inteira disposição.

Crônica do Dia

537177_250360158430555_1992762965_n Não e sim

Por: Kátia Muniz                                                                        cronicaskatia@live.com

A vida é mesmo assim,

Dia e noite, não e sim.

Sabiamente, Lulu Santos já cantava esses versos na música Certas Coisas. Não e sim são tão repetidos em nossas vidas quanto os filmes que passam na Sessão da Tarde.

 E a vida se encarrega de nos entregar muito mais o não do que o sim. São vários os casos em que: não somos chamados para a entrevista de emprego, não há encaixe para a consulta médica, não se tem dinheiro para viajar, ela não ama você, ele não telefonou no dia seguinte, você não consegue engravidar, não passou no vestibular, não se classificou no concurso público. Entenda: não foi dessa vez meu amigo, tente a próxima.

O não persiste, possui uma força e uma conotação dramática, pesa, carrega nas tintas, pode ser aterrorizante e também detonador para quem o assimila e o absorve como tal. O não aparece para nos colocar para baixo, para fazer com que a gente perca o rumo, para provocar desequilíbrio e dar uma desestabilizada. Pois muito bem, diante desse histórico, seria prudente não acumulá-lo. Jogue os dados, avance cinco casas, a vida continua.

Mas, há também o não que nos causa alívio e nos liberta de angústias, dores e sofrimentos: você não está doente. Você não atrasou a mensalidade.  Sua conta não está no vermelho. Você não estourou o cartão de crédito.

E maravilha das maravilhas: o sim dentro das afirmativas. Vamos publicar as suas crônicas. A vaga é sua. A consulta está marcada para as 16 horas. Eu te amo. Eu ganhei a promoção que tanto queria. Você está curado.

Não e sim fazem parte do cotidiano, do dia a dia, num processo normal e natural. Sabe o que é pior? Ficar sem respostas. O silêncio do outro, não raro, provoca em nós dúvidas, expectativas e ansiedades. Diante do não ou do sim, você ajeita o seu caminho, organiza-se, toca o barco, procura novas alternativas.

Li em algum lugar: “O não a gente tem como certo, o sim a gente arrisca”.

Vale arriscar,  ousar, encarar e não se intimidar. Que os nãos recebidos jamais o impeçam de continuar a sonhar e a acreditar. Entendido? Simmmmmmm.