São pais e mães de família que usavam os recursos no comércio local, outro aspecto da decisão a se pensar
João da Silva* tem 47 anos, duas filhas e esposa que está se recuperando de uma cirurgia muito delicada. Usava seus talentos como profissional ocupando um cargo comissionado da Prefeitura. Com os recursos mensais, conseguia fazer a compra mensal de alimentos para a família, comprava os remédios necessários, pagava o combustível da moto que usava para trabalhar.
Como cargo comissionado, batia o ponto, trabalhava nos períodos da manhã e tarde e, quando necessário até à noite e finais de semana.
Hoje, foi exonerado do cargo que ocupava na Prefeitura de Paranaguá. Está preocupado com o futuro dele e, especialmente, da sua família. (*O nome de João da Silva é fictício para não expor a pessoa, mas a história é, totalmente, real)
Assim como o João, mais 145 pessoas estão preocupadas, pois a procura por emprego faz fila na Agência do Trabalhador.
Dizem que a economia, para os cofres públicos será de R$ 500 mil.
Por outro lado, não esqueçamos que são R$ 500 mil a menos, também, gastos no comércio local onde há outras famílias parnanguaras vivendo a crise financeira do país, podendo formar um círculo vicioso e preocupante na nossa comunidade.
Sabe aquele cargo comissionado que comprava carne no seu açougue?
Que comprava cachorro quente no seu carrinho, toda semana?
Que ia até sua lanchonete aos finais de semana?
Que comprava as roupas de ginástica que você vende?
Que era sua cliente assídua nas sessões de fisioterapia?
Então, isso poderá mudar nos próximos meses.
Nesta sexta-feira, dia 22 de abril, 146 cargos foram exonerados da Prefeitura em decorrência da recomendação administrativa do Ministério Público e do Termo de Ajustamento de Conduta assinada entre a 4ª Promotoria de Justiça do Ministério Público do Paraná e o prefeito de Paranaguá, Edison Kersten.
Como já disse antes, aos cargos que por falta de mando não executavam suas funções e faziam os corredores da Prefeitura de ‘rádio fofoca’, ou nem passavam por lá, a porta da rua é serventia da casa e merecem as exonerações.
Mas, as pessoas que ocupavam cargos trabalham corretamente, realizando suas funções, fica a sensação de injustiça e a necessidade de se ter consideração e respeito por todos nós.