Autoridades do Ministério Público do Paraná e das áreas da Educação, Segurança Pública e Justiça lançaram nesta segunda-feira, 19 de novembro, no Colégio Estadual Aníbal Khury Neto, em Curitiba, a campanha “Conte até 10. Paz. Essa é a atitude”. Criada pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e pela Estratégia Nacional de Justiça e Segurança Pública (ENASP), com o apoio da Secretaria Nacional de Justiça e do Conselho Nacional de Justiça, a campanha tem como objetivo principal combater os homicídios cometidos por impulso, que ocorrem após desentendimentos banais ou aqueles que, por meio de uma reflexão, poderiam ser evitados. Para isso, a iniciativa visa disseminar o lema “Conte até 10”, por meio de diversas atividades e mobilizações, com o apoio de esportistas e lutadores que, fora dos tatames e octógonos, cultivam uma atitude de paz.
Durante o lançamento, o procurador-geral de Justiça, Gilberto Giacoia, disse que a campanha faz parte de um processo cultural de combate à violência. “O Ministério Público não quer levar ao banco dos réus aquele que, se tivesse contado até dez, não teria cometido um crime”, ressaltou.
O coordenador estadual da campanha, promotor de Justiça Paulo Markowicz de Lima, contou que ele e seus colegas promotores que têm atuação nos Tribunais do Júri sabem que é grande o número de réus, que são julgados por homicídio, que se mostram muito arrependidos no julgamento, porque praticaram uma ação impensada e tiraram a vida da esposa, do vizinho, da pessoa com a qual discutiram no trânsito. “São réus que, se tivessem pensado um pouco, não estariam sendo julgados”, disse.
Ele afirmou que, no Paraná, cerca de 30% dos homicídios são praticados por impulso, por motivos banais, depois de discussões familiares, sendo que, nesses casos, quase sempre há consumo excessivo de álcool. “No Acre, quase 100% dos homicídios poderiam ser evitados se a pessoa contasse até dez.”, disse. “Pretendemos no Paraná que a pessoa conte até dez para evitar não só os homicídios, mas qualquer crime com conteúdo de violência, propondo que o marido reflita e não agrida sua esposa, seu filho; que as pessoas não discutam no trânsito e que o aluno não se exceda com o professor ou os colegas”. E, lembrando de uma citação de Ferreira Gullar: “Não quero ter razão, quero ser feliz”, disse que, com a campanha, “nós, promotores e magistrados, também queremos nos aproximar da comunidade, em um primeiro momento dando palestras em escolas, participando de reuniões com associações de moradores, para mostrar como se desenrola um processo, como é difícil estar na condição de réu, de ser julgado pela sociedade por um homicídio, e propagar a ideia da reflexão antes da violência”.
Apoio de esportistas – A campanha, lançada nacionalmente no dia 8 de novembro, em Brasília, conta com o apoio dos lutadores de MMA Anderson Silva e Júnior Cigano, bem como dos judocas Leandro Guilheiro e Sara Menezes, que cederam suas imagens e gravaram vídeos nos quais falam que, mesmo sendo muito preparados para enfrentar qualquer briga, “contam até 10”, pois a raiva passa e a vida fica. No Estado, o lutador paranaense de MMA Maurício “Shogun” Rua também contribuirá com a campanha. Há também jingles que serão veiculados nas emissoras de rádio.
Dados – No lançamento nacional da campanha, o procurador-geral da República e presidente do Conselho Nacional do Ministério Público, Roberto Gurgel, apresentou dados compilados pelo Conselho relativos a 16 unidades da federação, que mostram que, na maior parte dos estados, mais de 50% dos crimes de homicídio resulta de ações impulsivas ou são cometidos por motivos fúteis.
No Paraná, estimativa feita a partir de informações das Promotorias de Justiça ligadas à área criminal mostra que cerca de 21% dos casos de homicídio estão relacionados à motivação banal, conjugada com a embriaguez. Soma-se, ainda, a este número os crimes praticados em função de violência doméstica (7%) e os passionais (2%).