Por: Kátia Muniz cronicaskatia@live.com
Logo que Isadora Faber explodiu nas redes sociais, com seu diário de classe, resolvi escrever sobre ela, mas não publiquei. Guardei o texto. Achei que ela iria esmorecer diante da pressão que, na época, estava só começando.
Enganei-me. Ainda bem. O tempo passou, e Isadora manteve-se firme. Mesmo diante de ameaças, críticas, pressões, ela continuou denunciando irregularidades, apontando erros e dando a cara para bater.
Tem plena consciência que mexeu num vespeiro, mas segue em frente, soltando o verbo, usando a mídia em prol de causas relevantes, cumprindo com maestria seu papel de cidadã.
Isadora tem luz própria e sabe usá-la. É exemplo de ousadia, de luta, de coragem e de perseverança.
No entanto, não vou creditar todos os louros a ela. Seus pais, com certeza, também tem brilho. Ela reflete a educação séria, correta e cheia de bons exemplos, que eles, a duras penas, tentam ensinar. Sabemos que não é tarefa fácil educar filhos hoje em dia, numa época em que os valores estão totalmente invertidos, que espertos são aqueles que roubam, que passam por cima dos outros e levam vantagem. E bobos são os que seguem princípios éticos.
É triste viver em um país que não prioriza a educação, que deixa seus alunos à mercê de portões quebrados, quadras sem pintura, bebedouros sem água e infinitos outros problemas que Isadora tão bem descreve em seu diário.
Se o problema fosse falta de dinheiro, seríamos até capazes de entender, mas não é. O Brasil é riquíssimo! Arrecada altos impostos, mas infelizmente não sabe distribuir esses valores de maneira correta: um país mal governado faz o seu povo sofrer.
Mas é muito bom saber que existem Isadoras.
Eu as vejo em todas as pessoas que se unem focadas em causas sociais. Que não esperam nada do governo, que agem por conta própria, que unem forças, que passam por cima das dificuldades, que enfrentam desafios, que lutam, que caem, que levantam e que se mantêm fortes diante de tantos obstáculos. Doam amor, tempo, entregam-se e se disponibilizam de alguma forma, sem ganhar nenhum valor monetário em troca. São ricas por dentro. Merecem nossos aplausos!
São essas Isadoras que plantam sementes, que germinam o bem, e que são capazes de fazer nascer em nós a esperança de que este país ainda tem salvação.
