Nem todos os pais são pais
Por: Kátia Muniz cronicaskatia@live.com
“Uma mulher bebe vinho com o namorado. Ao lado, num carrinho, o bebê chora. A mãe não titubeia, coloca a bebida na mamadeira da criança com o intuito de acalmá-la”.
“O pai sem ter com quem deixar o filho de 8 anos, leva-o, de madrugada, para explodir e tentar furtar caixas eletrônicos”.
Acima descrevo duas notícias que foram divulgadas pelos telejornais em rede nacional. A partir daí, a gente fica a imaginar o cenário tenebroso a que são expostas estas e outras crianças mundo afora.
Há, de modo geral, uma comoção quando uma mulher fica grávida. Será mãe, algo puro e virtuoso.
Os futuros pais são cultuados como super-heróis. Capazes de tudo para proteger a prole.
Talvez, seja preciso rever todo esse encantamento. Há mães e pais que ocupam com louvor o título e outros que, não sei por qual motivo, e é bem possível que nem eles saibam, resolveram ter filho ou filhos.
Nunca fomos tão bem informados sobre métodos contraceptivos. E filho é opção e não obrigação. Ter filhos é uma escolha, que deveria sim, seguir critérios de amadurecimento, planejamento e decisão segura.
Filhos requerem de seus genitores doses generosas de paciência, de entrega, de carinho, de amor, de cuidados que se estendem por toda uma vida. Filhos mudam o nosso status, dão uma reviravolta completa em nossas vidas.
A mulher e o homem descritos nos dois primeiros parágrafos tornaram-se mãe e pai pelo fato de terem gerado um ser, mas pelos indícios, infelizmente, não conseguem cumprir a responsabilidade que tal papel demanda.
E dessa história toda, as vítimas são os filhos, que num determinado momento, ainda na infância, começam a perceber se são ou não amados. E quando adultos, das duas uma: ou reproduzem fielmente os exemplos bárbaros a que ficaram expostos ou, num lapso de sanidade, enveredam para o lado do entendimento e compreendem que não é dessa forma que se cria um ser. Assimilam, antes mesmo dos seus próprios pais, que filhos devem ser gerados, primeiro, pelo coração.
