Crônica do Dia do Diário do Comércio

537177_250360158430555_1992762965_nNem todas as mães são mães

Nem todos os pais são pais

Por: Kátia Muniz                                                                   cronicaskatia@live.com

“Uma mulher bebe vinho com o namorado. Ao lado, num carrinho, o bebê chora. A mãe não titubeia, coloca a bebida na mamadeira da criança com o intuito de acalmá-la”.

“O pai sem ter com quem deixar o filho de 8 anos, leva-o, de madrugada, para explodir e tentar furtar caixas eletrônicos”.

Acima descrevo duas notícias que foram divulgadas pelos telejornais em rede nacional.  A partir daí, a gente fica a imaginar o cenário tenebroso a que são expostas estas e outras crianças mundo afora.

Há, de modo geral, uma comoção quando uma mulher fica grávida. Será mãe, algo puro e virtuoso.

Os futuros pais são cultuados como super-heróis. Capazes de tudo para proteger a prole.

Talvez, seja preciso rever todo esse encantamento. Há mães e pais que ocupam com louvor o título e outros que, não sei por qual motivo, e é bem possível que nem eles saibam, resolveram ter filho ou filhos.

Nunca fomos tão bem informados sobre métodos contraceptivos. E filho é opção e não obrigação. Ter filhos é uma escolha, que deveria sim, seguir critérios de amadurecimento, planejamento e decisão segura.

Filhos requerem de seus genitores doses generosas de paciência, de entrega, de carinho, de amor, de cuidados que se estendem por toda uma vida.  Filhos mudam o nosso status, dão uma reviravolta completa em nossas vidas.

A mulher e o homem descritos nos dois primeiros parágrafos tornaram-se mãe e pai pelo fato de terem gerado um ser, mas pelos indícios, infelizmente, não conseguem cumprir a responsabilidade que tal papel demanda.

E dessa história toda, as vítimas são os filhos, que num determinado momento, ainda na infância, começam a perceber se são ou não amados. E quando adultos, das duas uma: ou reproduzem fielmente os exemplos bárbaros a que ficaram expostos ou, num lapso de sanidade, enveredam para o lado do entendimento e compreendem que não é dessa forma que se cria um ser.  Assimilam, antes mesmo dos seus próprios pais, que filhos devem ser gerados, primeiro, pelo coração.

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