Grupo protesta sobre envio de alimentos vencidos às comunidades
Um grupo, com 40 índios, ocupou o escritório da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Paranaguá, desde a tarde desta quinta-feira (30).
Eles protestam porque alimentos vencidos estariam sendo fornecidas as comunidades indígenas. Além disso, as cestas básicas teriam atrasos na entrega, conforme contou o cacique, Valdenei da Silva.
O grupo ocupou o prédio e prometeu não sair até que o chefe do Núcleo da Funai de Paranaguá, Getúlio Gomes da Silva, seja substituído. “Não aceitamos mais ser mal tratados pela Funai, que deveria cuidar dos índios. E não queremos mais ser atendidos por pessoas que não são comprometidas com a nossa causa”, disse o cacique Verá Tupã, da aldeia de Guaraqueçaba.
Os índios reclamam que a Funai em Paranaguá não leva alimentos para as cinco aldeias da região há mais de três meses. “Nossas crianças estão passando fome na aldeia. Os menores não tomam leite há muito tempo”, disse o cacique Verá Popyguá, de Antonina.
A reportagem da Gazeta do Povo esteve na Funai em Paranaguá e apurou que existem centenas de quilos de alimentos vencidos, alguns já estragados. Além de centenas de litros de leite em caixa, alguns estão derramados no chão, coalhados. Os caciques disseram que não vão mais ficar passando fome nas aldeias do Litoral enquanto os alimentos apodrecem na Funai.
“Nós não vamos aceitar a presença do chefe da Funai aqui em Paranaguá, vamos elaborar um documento para enviar à administração de Chapecó (SC) e outro para Brasília exigindo providências”, disse o cacique Verá Tupã.
De acordo com o chefe do Núcleo da Funai em Paranaguá, a situação chegou a este ponto devido à falta de estrutura do órgão. “O carro da Funai está estragado desde o ano passado, o barco que serve para levar cestas básicas está sucateado”, afirmou. Acontece que a afirmação não condiz com um documento assinado pelo próprio chefe da Funai onde diz que tanto o carro como o barco estão em bom estado.
