Crônica do Dia com Kátia Muniz

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 Por: Kátia Muniz                                                                               katiacronicas@gmail.com

Ela parou do meu lado e falou: “Chato aqui, né? Não tem sinal no telefone, não dá para acessar as redes sociais. Não tem nada para se fazer”.

O rosto num semblante apagado denunciava o descontentamento.

A cena descrita acima aconteceu com o seguinte cenário: céu de brigadeiro, sol mostrando a sua força, mar numa tonalidade cor de mel a perder de vista, areia convidando para uma caminhada.

Ela ainda não havia descoberto que o local da hospedagem oferecia rede wi-fi. Totalmente perdida naquele cartão postal, perambulava, de cabeça baixa, no mesmo metro quadrado.

Dia seguinte a vi, de mala e cuia, levantando acampamento.

Chegar ao ponto de não conseguir desfrutar a exuberância que a natureza, gratuitamente, nos oferece e trocar isso por horas de conexões tecnológicas, é acender, no mínimo, a luz amarela.

O óbvio: a partir do momento que algo nos escraviza, deixa-se de ser saudável.

O que tinha lá para se fazer?

Inúmeros banhos de mar, pular ondas, fazer construções na areia, caminhar molhando os pés, caminhar sem molhar os pés, subir e descer morros. Cansou?

Há outras opções: observar o voo das gaivotas, contemplar o balé dos golfinhos, procurar uma nuvem naquela imensidão de céu azul, cochilar na espreguiçadeira, ver as pessoas desfilando os mais variados estilos, tentar encontrar algum rosto conhecido por baixo dos óculos enormes e do chapéu.

Esse lugar paradisíaco pede outro tipo de conexão. Um descanso para o virtual e um mergulho no real.

Infelizmente, vivemos numa era em que não são todos que conseguem. Há pessoas que entram em pânico pelo simples fato de não conseguir o sinal no celular.

Aos que ainda mantém o bom senso e o equilíbrio tecnológico, bom proveito nesse restinho de verão, em que as temperaturas nos convidam para o ar livre.

Aos que andam resumindo a vida nos variados centímetros de telas de celulares e afins, uma dica que parece um tanto esquecida: há vida lá fora.

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