Começou hoje (12) o julgamento dos tripulantes acusados de jogar homem ao mar.
O julgamento de cinco tripulantes de um navio de bandeira maltesa, acusados de terem jogado ao mar o camaronês Ondobo Happy Wilfred está acontecendo em Paranaguá e serão julgados por júri popular e devem responder por tentativa de homicídio quadruplamente qualificado, racismo e tortura.
Inicialmente, a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal acusava 19 tripulantes do navio de maus tratos ao camaronês. Contudo, a Justiça considerou que não havia elementos suficientes nos para processar 14 deles. Na época do ocorrido, a polícia também havia indiciado o capitão do navio, mas o próprio MPF retirou o nome dele da denúncia, por falta de provas de envolvimento com o caso.
Conforme a denúncia, o Wilfred havia entrado no navio disfarçado de agente portuário, quando a embarcação estava atracada em Camarões. Após cinco dias escondido, o camaronês ficou sem mantimentos e decidiu procurar os tripulantes para pedir ajuda. Quando o encontraram, os homens teriam iniciado uma sessão de torturas físicas e psicológicas.
Já na costa brasileira, os tripulantes colocaram Wilfred sobre um estrado de madeira e o lançaram ao mar. Cerca de 13 horas depois, outro navio, de bandeira chilena, avistou o homem e o resgatou.
O camaronês foi levado até Paranaguá, onde recebeu auxílio do governo brasileiro. O navio maltês, que iria descarregar no porto da cidade, ficou retido com a tripulação, sem poder deixar a costa paranaense.
