Primeiro Júri Popular Federal em Paranaguá acaba

O tribunal de júri federal reunido em Paranaguá decidiu pela absolvição dos cinco marinheiros acusados de tentativa de homicídio contra clandestino camaronês Wilfred Happy Ondobo. A sentença também inocentou o marinheiro Orhan Satilmis, que era acusado ainda pelos crimes de racismo e tortura.

Satilmis, Ramazan Ozdamar, Zafer Yildirim e Ihsan Sonmezocak, de nacionalidade turca, e Mamuka Kirkitadze, da Geórgia, receberam seus passaportes imediatamente após o veredito e já estão livres para retornar a seus países de origem, após a revogação das medidas cautelares que os mantiveram retidos sob liberdade vigiada em Paranaguá por quase quatro meses.

Os sete jurados escalados para o tribunal do juri acataram a tese da defesa. O advogado Giordano Vilarinho Reinert negou que os marinheiros acusados tivessem encontrado o clandestino do navio. Em relação ao crime de tortura, os jurados entenderam que não houve provas materiais do fato, já que o clandestino não apresentava nenhuma lesão quando foi recolhido. Durante o julgamento, o próprio representante do Ministério Público federal (MPF) disse não estar convencido na prática de racismo.

O clandestino em seu depoimento disse não se lembrar das palavras “racistas”que lhe foram dirigidas e entrou em contradição várias vezes, chegando a afirmar que desceu por uma escada de cordas, instalada na lateral do navio. No inicio do caso em junho, ela havia alegado que fora lançado ao mar pelos marinheiros. O tribunal de júri federal, realizado pela primeira vez na cidade e pela quinta vez no Paraná, ocorreu em tempo recorde. Em menos de 120 dias foi concluído o inquérito na Polícia Federal, apresentado a denúncia do MPF e realizado o julgamento. (Gazeta do Povo)

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