TRT-PR sinaliza acordo trabalhista em Paranaguá

Ideia é limitar o arresto de contas do Ogmo, que coordena os 2,8 mil trabalhadores do porto, e evitar a paralisação em pleno escoamento da safra

 Categoria pode ficar sem salário a partir de amanhã

Trabalhador espalha soja sobre grades para que grãos escorram aos porões do Porto de Paranaguá. Categoria pode ficar sem salário a partir de amanhã

Daniel Castellano/Gazeta do Povo
Autor: Carlos Guimarães Filho

“Temos uma reunião na próxima terça-feira com o corregedor Altino Pedrozo Dos Santos, responsável pelo caso. O plano está aprovado conceitualmente pelo TRT e pode ser levado a pleno em abril”, resume Burattini, também advogado do Ogmo de Santos e responsável pelo acordo na Justiça paulista. A assessoria do TRT-PR confirmou o pedido de reunião.

Desde a semana passada, a Justiça paranaense ordenou o sequestro da conta bancária do Ogmo, responsável pelo pagamento dos salários dos 2,8 mil trabalhadores do terminal paranaense, pagos às quartas-feiras. O motivo é a dívida de R$ 6 milhões proveniente de ações trabalhistas executadas em fevereiro, valor que o órgão assume não ter como pagar. Sem salário, os trabalhadores ameaçavam cruzar os braços.

“O arresto do Banco Central passou, mas em algumas contas com valores insignificantes. Assim foi possível realizar o pagamento dos salários”, afirma o diretor executivo do Ogmo, Hemerson Costa. “Mas a dúvida permanece e corremos o risco de não ter dinheiro na próxima quarta-feira”. A entidade calcula que a dívida trabalhista chegue a R$ 186 milhões até o final deste ano e salte para R$ 300 milhões em 2014.

Caso o acordo seja oficializado, a enxurrada de ações trabalhistas contra o Ogmo de Paranaguá deve diminuir significativamente. Foi o que aconteceu no Porto de Santos após o acordo firmado em dezembro de 2009 e implantado desde abril de 2010. Segundo Burattini, antes da medida, o órgão paulista enfrentava, em média, 500 ações novas por mês, com sucesso na defesa em metade dos casos. Depois de implantado o plano, o número de ações despencou para 20 por mês. “Com o acordo, os advogados percebem que vão entrar em uma fila para receber e isso pode demorar anos”, explica o advogado.

Fonte: Gazeta do Povo

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