Crônica do Dia

537177_250360158430555_1992762965_nPanelas de pressão
Por: Kátia Muniz

Eu havia preparado um tema ameno para a coluna, visto que o da semana passada, sobre o bolsa bandido, provocou burburinhos. Mas, não consegui fugir do assunto atual que sacode o país.

Era uma vez, um povo que acomodado em panelas normais, aceitava com certa tranqüilidade e passividade a chama que o fogão impunha.

O fogão sempre imponente, de inúmeras bocas prefere as panelas pequenas, e quanto mais simples melhor, pois essas, sem sombra de dúvidas, são as mais fáceis de serem manipuladas.

Na semana passada, boa parte da população descobriu o uso da panela de pressão. Com velocidade na fervura, soltou vaia pública direcionada à presidente do país. Aproveitou o ensejo de que o mundo está com os holofotes apontados para o Brasil, em virtude da Copa das Confederações, e resolveu aumentar o fogo.

O que vemos, são pessoas nas ruas protestando, primeiro pelo aumento de R$ 0,20 na tarifa da passagem de ônibus, mas isso foi somente o estopim para desencadear o chiado da panela que está a todo vapor. Com muito barulho, vociferam pessoas de todas as idades, lutando por um Brasil que trate seus filhos com o devido respeito e dignidade.

Pela primeira vez, vejo o país do futebol pouquíssimo preocupado com a seleção e aos brados reivindicando direitos que lhes são sonegados, e que ganharam força nas panelas de pressão que estão em profusão pelo país.

Manifestantes empunham faixas com dizeres sobre a educação, a saúde pública, a corrupção, o mensalão, o descontentamento com os bilhões gastos na construção de estádios majestosos, para sediar a Copa em 2014, e outras tantas indignações que ganharam voz, lotam avenidas em diversas cidades e mobilizam gritos, até então sufocados, e agora, devidamente, expulsos numa sintonia de revolta. Ao que parece o Brasil acordou.

É uma pena que alguns grupos foquem na violência, depredando órgãos públicos, queimando veículos, e desvirtuando o sentido do protesto.

Há dias presenciamos o chiado das panelas de pressão. Mas, é importante frisar que nada disso seria preciso se todos entendessem a importância, a responsabilidade, a conscientização e a parcela da nossa contribuição na hora do voto. É com o apertar de uma tecla que temos em nossas mãos o poder e o direito de promover mudanças. É bem mais forte o grito que se dá na frente da urna, em que cabem aos habilitados ao voto, de quatro em quatro anos, decidir que governo deve reger este país.

2 pensou em “Crônica do Dia

  1. Parece que aquele velho chavão do pão e circo não está servindo mais ao nosso país, algumas pessoas ainda não perceberam que nossos jovens e alguns adultos estão estudando, se especializando, se informando (estamos na era da informação), e com isso estamos ficando mais exigentes. Maracutaias e gambiarras já não são bem vindas, queremos serviços de qualidade com melhor preço, e se possível com boa vontade. As velhas raposas de nossa política local que ponham suas barbas de molho, estamos de olho e o MP também.

    • José Ricardo, o velho chavão já era, ainda bem. Nada como informação e leitura para nos dar força e entendimento para enfrentar governos que querem nos manipular. Sou a favor das manifestações e contra qualquer tipo de violência. E que este momento que o Brasil vive, valha de reflexão para a importância na hora do voto. Como colunista agradeço sua atenção, seu comentário e esteja sempre à vontade para expor sua opinião. Grande abraço. Katia Muniz.

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