Crônica do Dia

537177_250360158430555_1992762965_nNossas estreias – parte 2

Por: Kátia Muniz                                                                   cronicaskatia@live.com

 Na semana passada, escrevi uma crônica bem-humorada sobre as estreias que fazemos ao longo da vida. Volto ao assunto porque acabei recebendo vários comentários de pessoas que foram recordando como agiram nas tantas primeiras vezes quando debutaram.

Nossas estreias costumam ser marcantes por vários motivos, e muitas acontecem de maneira atrapalhada. Falta a nós a experiência, o treino, a prática que são ingredientes básicos para tornar qualquer feito melhor.

Assim, o primeiro beijo, o primeiro encontro, o primeiro dia no novo emprego, a chegada da menstruação, a primeira noite de amor, o primeiro baile, e tantas outras iniciações com que a vida nos brinda e nos coloca à disposição, servem como registro na nossa memória e nos ajudam na construção da nossa história.

Espero que você, ao ler este texto, não beije almofadas, travesseiros, espelhos e a palma da mão, exemplos que usei na última crônica. Faço votos de que tenha ao seu lado alguém de carne e osso para exercitar em exaustão essa prática fabulosa.

Mas para chegar aonde chegou, (e isso vale para qualquer área), passou pelos ensaios que serviram e ainda servem de embasamento, de consulta, de ajuda, pois tratam de experiências que sempre nos levam à reflexão e, a partir daí, decidimos o que precisa ser corrigido ou não.

Volta e meia a vida nos brinda com novos caminhos, novas conquistas, com estreias que exigem outras adaptações e reformulações. Estreias que são sempre bem-vindas porque nos tiram da zona de conforto, nos jogam para cima, nos sacodem, fazem a gente sentir um frio na barriga, um coração acelerado, as mãos suando, as pernas trêmulas e um gosto de “estou vivo”.

De vez em quando, somos convocados a falar de improviso, a dançarmos um tango, quando o nosso requebro encara bem um funk, a nos revelarmos numa declaração de amor, a encarar um microfone, a cantar uma música. Geralmente, acompanha o pacote: doses de ansiedade, nervosismo, medo e insegurança. São sentimentos normais e naturais de quem experimenta a primeira vez de algo, porque a vida tem muito mais graça com um pouco de turbulência.

Que você não enferruje dentro de padrões preestabelecidos, que tenha forças para encarar as novidades que se apresentam, que possua disposição para enfrentar o desconhecido, que consiga arriscar-se em novos projetos, que a sua vergonha e sua timidez sejam menores que a sua vontade de crescer como pessoa e ser humano.

Não esqueça: a vida é um palco que abre as cortinas para que sempre possamos fazer as nossas estreias.

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