Por: Kátia Muniz cronicaskatia@live.com
Lidando com fraldas e mamadeiras, as mães nem percebem o tempo passar. Mas ele voa, escapa pelas janelas abertas, pelas portas, pelo buraco da fechadura. Evapora. Pula casas, salta muros e etapas.
E seu bebê, que pedia a chupeta, agora lhe pede a chave do carro.
Ah, você, mãe zelosa, que guardou o primeiro sapatinho, que lavou as roupinhas dele no sabão de coco, agora olha para cima, para o alto para conversar com seu garotinho, que virou um homem lindo!
Ele tem pelo nas pernas, ele tem barba, ele tem espinhas no rosto e você ainda o chama de bebê.
E mesmo que ele complete 50 anos, ainda assim será o seu bebê. Mães, se pudessem, paralisariam o calendário na infância.
Elas insistem em fazer o prato predileto, ainda esperam a filharada com a sobremesa preferida, querem todo mundo agarrado na barra do short, e não mais da saia, porque as mães de hoje, claro, são moderninhas.
Para os outros, elas dizem que está tudo bem. Afirmam que, com os filhos crescidos, têm mais tempo disponível, conseguem trabalhar fora e assistir às novelas sossegadas. Essas são as mentiras que as mães contam para as outras pessoas e, principalmente, para elas mesmas, talvez na esperança de fornecer um alívio para a saudade.
Mãe que é mãe quer filhos ao alcance, quer dar colo e uma xícara com leite enquanto tiver forças.
Mãe quer telefonemas, quer bilhetes, quer cafuné no coração.
Filhos longe, coração apertado. Na falta deles, muitas mães costumam encher a casa de cachorros, gatos e passarinhos. É uma forma de preencher as lacunas e de distribuir o amor e o cuidado que ainda há em excesso.
Filhos costumam demorar para perceber o valor delas. Muitas vezes precisam ser alçados ao título de pais e mães oficiais, para começarem a entender o funcionamento da vida.
Só as mulheres possuem útero, só elas são capazes de gerar e fazer girar as engrenagens da vida.
Há em cada mãe a certeza da renovação do ciclo. E esse grandioso motivo nos basta para afirmar que mãe é palavra sagrada.
