Por: Katia Muniz katiacronicas@gmail.com
Patrícia Moreira vive seus dias de calvário desde que, na partida Grêmio e Santos, em Porto Alegre, teve sua imagem captada pelas câmeras, quando xingava o goleiro Aranha. O episódio, claro, repercutiu negativamente. As imagens foram compartilhadas à exaustão pelas redes sociais e o tema “racismo” foi catapultado para rodas de debate, para a imprensa falada e escrita.
Patrícia, embalada pelo calor da torcida, achou que seria mais uma, no meio de tantos, a gritar ofensas. Em entrevista, o goleiro disse que a perdoou, mas deixou claro que não tem intenção nenhuma de conhecê-la.
A garota está com a sua vida virada de cabeça para baixo. Deixou a casa onde mora, foi afastada do trabalho, recebeu ameaças de morte e de estupro. Para completar o circo de horrores, na última semana, parte de sua casa foi incendiada. Alguém resolveu fazer justiça com as próprias mãos.
Observa-se aí um crime puxando outros. Há, claramente, uma sucessão deles, muitas vezes cometidos pela certeza ou segurança de que seus autores não serão identificados nem punidos. Infelizmente, isso é retrato de um país em que as leis cabem somente a alguns, enquanto muitos fazem a festa.
São imagens de uma nação que anda sem freios. As pessoas perderam a noção do que pode e do que não pode, do respeito, da urbanidade, de conter os ímpetos. Virou uma baderna. A chance da impunidade é grande, o que, de certa forma instiga, estimula e não intimida ninguém. As pessoas andam partindo para o ataque com as armas que têm. Gritam, xingam, ofendem, batem, apontam o dedo, ameaçam, matam.
Não concordo, de forma alguma, com o que Patrícia fez, como também não assino embaixo o desenrolar dos fatos. Depois do jogo Patrícia virou Geni.
“Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir”
São versos cantados por Chico Buarque. A jovem vem recebendo pedras da sociedade, que não tem o papel de punir. Cabe somente a justiça definir as penas sobre o crime de racismo, punindo, inclusive, os agressores de Patrícia. E que se ponha, de uma vez, um ponto final nessa história.
