deadlinePor: Kátia Muniz

Há uma urgência no tempo e eu não estou conseguindo acompanhar.

Tudo me parece rápido, fugaz, veloz.

Dias calmos me provocam tédio, não sou de me arrastar diante da vida, mas ando querendo um equilíbrio, dias que me provoquem a sensação de tê-los realmente vivido e não só passado por eles.

As tragédias se amontoam umas sobre as outras. Nem bem fico a par de uma e há outras três ou quatro chamando nossa atenção. Exemplos é que não faltam: tsunamis, terremotos, aviões que caem, chacinas, acidentes de trânsito, gente que resolve atirar a esmo e ceifar vidas inocentes. Tem de tudo, você bem sabe.

Uma época, quis driblar essas notícias não assistindo aos noticiários televisivos. Quanta inocência a minha! O rádio te atualiza, os sites destacam as tragédias como se fossem anúncios em neon, o WhatsApp soa, o Facebook, volta e meia, sai da sua função Disneylândia de adultos,  mostrando o outro lado da moeda.

Não tem escapatória. Tudo te engole, te devora, te puxa, te suga.

As contas chegam, a inflação vai às alturas, conta-se o dinheiro, não se enche mais o tanque do carro, o lazer se restringe, enfrentamos fila, gastamos horas no trânsito, pegamos ônibus torcendo para que não seja assaltado, trancamos janelas, instalamos grades de proteção, alarmes, câmeras de segurança. Tudo é providencial, tudo em caráter de emergência.

A novela acabou. Pronto. Enterre-a. Surgirá outra na sequência, uma nova história, outros atores, outra temática. Quem era mesmo que fazia a personagem Bibi em Força do Querer? Já foi. Já era.

O amor terminou. Arranja-se outro, a toque de caixa, um novo amor que dê a sensação de que o vazio está sendo preenchido. Não se vive o luto do amor antigo. É preciso uma outra boca, um outro corpo, uma novidade. Rápido! Já perdeu tempo demais! A fila anda! Uma, duas, três selfies com o casal sorrindo. Destino? Redes sociais. É preciso gritar para o mundo que se está feliz ou teatralizando uma felicidade.

Tudo urge. Tudo entra em estado de ansiedade. Tudo é para ontem. Nada fica. Nada permanece.

Lá vem dezembro! Enquanto Papai Noel faz “ho-ho-ho”, você sobe e desce as escadas rolantes do shopping, dribla o orçamento com as famigeradas lembrancinhas, monta a mesma árvore de natal que já presenciou dias melhores, pendura enfeites pela casa, dispensa o pisca-pisca que só servirá para aumentar a conta de luz, e vai fazer um teste para o coração conferindo os preços estratosféricos dos perus.

Parece que foi ontem que saudei a entrada de 2017, vendo fogos de artifícios pipocarem no céu. Eis que o ano vai findando. Tudo já passou. Trezentos e sessenta e cinco dias percorridos sem que eu me desse conta.

É o tempo em velocidade supersônica!

Aqui me despeço de você, caro leitor. Retorno com a coluna em 2018. Parece longe, distante, mas está logo ali. Saio para o meu sumiço providencial em busca de um tempo menos urgente para mim mesma.

P.S: A coluna em 2018 será quinzenal.

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