Hábitos SaudáveisNas últimas semanas, o youtuber Whindersson Nunes compartilhou a sua luta contra uma esteatose hepática, popularmente conhecida como gordura no fígado. Após o diagnóstico, ele relatou a mudança necessária ao seu estilo de vida decorrente da doença e que resultou em uma aparente perda de peso. Mais do que um desabafo, ele chamou a atenção das pessoas para os cuidados que se deve ter com a saúde.

Mas você sabe o que é a esteatose hepática ou doença do fígado gorduroso? De acordo com a médica hepatologista cooperada da Unimed Curitiba, Cassia Regina Sbrissia Silveira, trata-se de uma degeneração gordurosa do fígado caracterizada pelo acúmulo de lipídios e triglicerídios (gordura) no interior das células hepáticas (as células do fígado). “Esse acúmulo é a maneira mais comum do fígado responder a uma agressão ao seu funcionamento”, explica, reforçando que ter gordura no fígado não é uma exclusividade de diabéticos e obesos, mas também pode acontecer em pessoas fora desses dois principais grupos de risco. “Hoje pacientes sem aparente problema de saúde também já apresentam a alteração metabólica”, explica, informando que, ainda que o distúrbio seja mais comum em adultos, sobretudo após os 40 anos, a prevalência em crianças e adolescentes vem chamando a atenção de médicos. A culpa, segundo ela, é dos maus hábitos alimentares e do sedentarismo.

Com o aumento da obesidade, estima-se que de 20% a 30% da população mundial tenha esteatose hepática, caracterizando-a, portanto, em um problema de saúde pública. “Aproximadamente 80% dos pacientes que são obesos apresentam esteatose e mais de 50% dos que se submetem à cirurgia bariátrica já apresentam inflamação no fígado em decorrência dessa doença”, acrescenta a especialista.

Sintomas e diagnóstico

Assim como Whindersson Nunes, alguns pacientes relatam sentir mal-estar, cansaço e dor abdominal. Contudo, Cassia alerta que estes nem sempre estão relacionados à esteatose, que tem como principais causas a ingestão alcoólica excessiva e a síndrome metabólica (diabetes, hipertensão, obesidade e dislipidemia). “Na grande maioria das vezes, a doença não apresenta nenhum sinal ou sintoma”, explica a médica.

O administrador Claudio Oliveira conta que recebeu o diagnóstico após exames de rotina. “De tempos em tempos, faço check up e, em um deles, soube que estava doente”. De acordo com especialistas, alguns pacientes que já apresentam inflamação no fígado podem ter também alterações nos exames de sangue, mas essa não é a regra.

Tratamento

Não há um medicamento específico para o tratamento da esteatose. Em geral, o problema é reversível apenas pela eliminação da causa. A cooperada da Unimed Curitiba destaca que o prognóstico pode ser bom, mas depende da fase em que a doença é descoberta e, principalmente, da aderência do paciente à mudança de hábitos e aos tratamentos recomendados. “A esteatose pode ficar estável por muito tempo ou até mesmo regredir caso haja controle dos fatores que desencadearam a doença. Em outras situações, pode avançar silenciosamente para inflamação no fígado (esteatohepatite) e, posteriormente, fibrose, com risco de progressão para cirrose e câncer de fígado”, diz, enfatizando que nas duas últimas situações pode, inclusive, haver necessidade de transplante hepático, sendo que o número de transplantes por cirrose causada por esteatose não alcoólica tem crescido exponencialmente.

Mas então, o que deve ser feito? Entre algumas ações, as principais são: perda de peso, redução ou cessão do consumo de álcool, adoção de dieta saudável, prática de exercícios físicos, além do controle do diabetes e do colesterol. “É comum os pacientes com esteatose apresentarem maior frequência de diabetes, dislipidemia e obesidade, o que representa maior risco de doenças cardiovasculares, como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral”, conta.

O tratamento é direcionado para a causa da esteatose e não para o problema hepático propriamente dito, e envolve modificações de hábitos de vida.

Por fim, a médica destaca que não existe tratamento rápido e sem esforços, mas é possível sim reverter o quadro com muita determinação, dedicação e persistência. E, claro, que é fundamental proteger o fígado. “É preciso evitar substâncias que causem mais dano ao seu fígado, como não beber álcool e cuidar com medicações e chás comprados sem receita médica”.

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