Superintendente do Iphan critica atual estado de abandono da Estação Ferroviária

Recursos de R$ 1,3 milhão foram liberados pelo Ministério do Turismo e início das obras está previsto para dezembro

3.1- estação externaO superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), José de La Pastina Filho, esteve em Paranaguá para verificar as condições da Estação Ferroviária de Paranaguá que teve parte do teto desabado há uma semana.

“Infelizmente a própria concessionária que administra a ferrovia, no caso a América Latina Logística, tem uma prática de abandonar as Estações ferroviárias que não lhe interessam”, disse em entrevista para os veículos de comunicação de Paranaguá.

Ele lembrou que a empresa era responsável pela manutenção do prédio até fevereiro de 2012, quando a responsabilidade pelo prédio histórico foi repassado ao Município de Paranaguá.

“Então num primeiro momento, até quando se passou para a Prefeitura, a responsável  pela conservação estrutura, pela pintura, era a concessionária ferroviária”, disse La Pastina.  “Mas não tinha o menor interesse e todas as estruturas na Serra estão totalmente abandonadas, o que entendemos que é uma irresponsabilidade da empresa deixar acontecer isso”, enfatizou.

 

Desde 2012, a Prefeitura é legalmente responsável pelo espaço, podendo fazer benfeitorias no local. Como o prédio está deteriorado, a Prefeitura de Paranaguá tentou colocar em prática um projeto já desenvolvido pelo Iphan com custo de R$ 1,3 milhão para recuperação do espaço.

Os recursos foram reapresentados no ano passado, junto ao Ministério do Turismo e na semana passada Paranaguá foi selecionada para receber os recursos.

“Infelizmente, as coisas são lentas para ocorrer”, disse o prefeito de Paranaguá, Edison Kersten em coletiva à imprensa.

Emergência

Com o desabamento de parte do telhado, o espaço ficou em estado deplorável. Todo o acervo, além da estrutura física precisa de uma recuperação completa.

“A primeira coisa é contratar um laudo técnico para avaliar o estado real e vai dar o subsídio para o projeto de escoramento, de uma remoção das partes deterioradas e também de uma cobertura provisória porque precisamos impedir a continuidade dos agentes atmosféricos sobre o edifício histórico”, complementou o superintendente do Iphan.

Será feita a contratação de um engenheiro especializado em estruturas de madeira para realizar um laudo sobre as providências necessárias para a recuperação do telhado da Estação Ferroviária – que desabou no meio do mês.

Porém, o valor de R$ 1,3 milhão não contempla a troca do telhado. Com este valor, está contemplada a recuperação arquitetônica, fiação, calhas, entre outros itens, mas não o teto.

O prefeito Edison Kersten explicou que a intenção é iniciar rapidamente a recuperação do prédio, fazendo com que ele volte a receber os turistas da linha férrea ou, ainda, que seja integrado a projetos envolvendo a promoção da cultura e gastronomia local. “Depois de restaurado, nossa intenção é que a litorina volta a completar a viagem chegando a Paranaguá. Mas isso é uma empresa privada quem faz e não podemos obrigar. De qualquer modo, uma vez restaurado, o prédio pode abrigar um café, um restaurante ou algo do gênero. Até temos projetos envolvendo o shopping que deve se instalar logo atrás da Estação. De qualquer modo, iremos trabalhar para começar o quanto antes a recuperação e estimular a visitação deste importante local”, salientou.

HISTÓRICO DO PRÉDIO

Construída por ordem do imperador Dom Pedro II, a Estação Ferroviária de Paranaguá foi inaugurada em 1883 juntamente com o curto trecho Morretes-Paranaguá, estendido até Curitiba dois anos depois. Mais modesta no início, a estação foi ampliada em 1922 e ganhou as características atuais.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *