Panelas de pressão
Por: Kátia Muniz
Eu havia preparado um tema ameno para a coluna, visto que o da semana passada, sobre o bolsa bandido, provocou burburinhos. Mas, não consegui fugir do assunto atual que sacode o país.
Era uma vez, um povo que acomodado em panelas normais, aceitava com certa tranqüilidade e passividade a chama que o fogão impunha.
O fogão sempre imponente, de inúmeras bocas prefere as panelas pequenas, e quanto mais simples melhor, pois essas, sem sombra de dúvidas, são as mais fáceis de serem manipuladas.
Na semana passada, boa parte da população descobriu o uso da panela de pressão. Com velocidade na fervura, soltou vaia pública direcionada à presidente do país. Aproveitou o ensejo de que o mundo está com os holofotes apontados para o Brasil, em virtude da Copa das Confederações, e resolveu aumentar o fogo.
O que vemos, são pessoas nas ruas protestando, primeiro pelo aumento de R$ 0,20 na tarifa da passagem de ônibus, mas isso foi somente o estopim para desencadear o chiado da panela que está a todo vapor. Com muito barulho, vociferam pessoas de todas as idades, lutando por um Brasil que trate seus filhos com o devido respeito e dignidade.
Pela primeira vez, vejo o país do futebol pouquíssimo preocupado com a seleção e aos brados reivindicando direitos que lhes são sonegados, e que ganharam força nas panelas de pressão que estão em profusão pelo país.
Manifestantes empunham faixas com dizeres sobre a educação, a saúde pública, a corrupção, o mensalão, o descontentamento com os bilhões gastos na construção de estádios majestosos, para sediar a Copa em 2014, e outras tantas indignações que ganharam voz, lotam avenidas em diversas cidades e mobilizam gritos, até então sufocados, e agora, devidamente, expulsos numa sintonia de revolta. Ao que parece o Brasil acordou.
É uma pena que alguns grupos foquem na violência, depredando órgãos públicos, queimando veículos, e desvirtuando o sentido do protesto.
Há dias presenciamos o chiado das panelas de pressão. Mas, é importante frisar que nada disso seria preciso se todos entendessem a importância, a responsabilidade, a conscientização e a parcela da nossa contribuição na hora do voto. É com o apertar de uma tecla que temos em nossas mãos o poder e o direito de promover mudanças. É bem mais forte o grito que se dá na frente da urna, em que cabem aos habilitados ao voto, de quatro em quatro anos, decidir que governo deve reger este país.
Parece que aquele velho chavão do pão e circo não está servindo mais ao nosso país, algumas pessoas ainda não perceberam que nossos jovens e alguns adultos estão estudando, se especializando, se informando (estamos na era da informação), e com isso estamos ficando mais exigentes. Maracutaias e gambiarras já não são bem vindas, queremos serviços de qualidade com melhor preço, e se possível com boa vontade. As velhas raposas de nossa política local que ponham suas barbas de molho, estamos de olho e o MP também.
José Ricardo, o velho chavão já era, ainda bem. Nada como informação e leitura para nos dar força e entendimento para enfrentar governos que querem nos manipular. Sou a favor das manifestações e contra qualquer tipo de violência. E que este momento que o Brasil vive, valha de reflexão para a importância na hora do voto. Como colunista agradeço sua atenção, seu comentário e esteja sempre à vontade para expor sua opinião. Grande abraço. Katia Muniz.