Por: Kátia Muniz cronicaskatia@live.com
Mais uma vez um crime toma conta da imprensa de todo o país. Ao ficarmos sabendo das cinco mortes na família Pesseghini, sentimos novamente aquela sensação de desamparo, de impotência, de fragilidade, de insegurança, e a certeza de que cada vez mais a violência se espalha de maneira assustadora.
O crime que ainda não recebeu respostas dos laudos técnicos continua sendo investigado. Mas houve uma precipitação em afirmar que o culpado é o filho do casal, de 13 anos, que teria matado pai, mãe, avó, tia e depois cometido suicídio. Dos inúmeros questionamentos que rondam o caso, resta saber também o real motivo de cinco vidas serem brutalmente interrompidas.
Este ano, (e ainda estamos em agosto), já tivemos provas concretas de que a vida anda valendo muito pouco ou quase nada.
Tempos atrás, um casal estava no apartamento com uma criança de um ano e meio. O vizinho do andar debaixo reclama do barulho. As discussões entre eles já eram reincidentes. O motivo era sempre o mesmo: barulho. Como foi resolvido o imbróglio? O vizinho incomodado subiu até o andar superior munido de uma arma e disparou contra o casal, poupou a criança. Em seguida, eliminou a própria vida.
Ladrões invadem um consultório odontológico. Em posse do cartão da vítima resolvem ir até o banco sacar dinheiro. Ficam revoltados com o saldo de R$ 30,00. Como resolveram a questão? Jogaram álcool na dentista e atearam fogo com ela viva.
Um estudante universitário foi vítima de assalto. O ladrão quis o celular. Sem reagir, o rapaz entrega o objeto. O ladrão poderia ter pegado o celular e dado no pé. Foi o que ele fez, mas antes resolveu atirar contra o estudante.
Todos os parágrafos acima descrevem histórias da vida real. Histórias brutais, que andam acontecendo de forma muito banal.
Quanto vale a nossa vida?
Pode valer um boné, um par de tênis, uma conta de restaurante que demonstrou divergência entre o que foi consumido e o que foi cobrado, óculos, brigas e imprudência no trânsito, brigas entre vizinhos, um relógio, uma bolsa, um celular, um cartão que sinaliza valor baixo na conta.
Marginais portam armas de maneira tão natural, como cidadãos carregam a identidade no bolso. Com atitudes aniquilam, em segundos, a vida daqueles que carregavam sonhos, projetos a realizar, viagens a fazer, faculdade para terminar, empregos a conquistar, filhos para verem crescer. Pessoas do bem que até um segundo antes do fim, lutaram dia após dia para ter um futuro melhor, mas, infelizmente, cruzaram o caminho com pessoas frias, que não tendo amor a própria vida, eliminam outras banalmente. Para eles, basta querer encerrar histórias. Simples assim.
