Por: Kátia Muniz cronicaskatia@live.com
Já ouvi tanta gente dizer: “se fosse meu filho que fizesse birra desse jeito, eu o colocaria de castigo.” “Se eu fosse assaltado, partiria para cima do meliante.” “Se eu descobrisse que meu marido está me traindo, botaria ele para fora de casa na mesma hora.” “Ah, mas se fosse comigo eu…”.
Penso: como tem gente corajosa nesse mundo!
As hipóteses nos encorajam, o se fosse, se descobrisse, é uma possibilidade e uma suposição, não uma constatação.
Pegos totalmente de surpresa, dentro de um fato inesperado e inusitado é que descobriremos como vamos agir e reagir. Não sabemos nada até sermos colocados à prova.
O Fantástico vem há alguns domingos apresentando um quadro altamente reflexivo e que traz um título provocativo: “Vai fazer o quê?”.
São cenas desconcertantes, fortes, provocantes, vivenciadas por atores contratados com um único objetivo: testar como as pessoas reagem presenciando algo que gera, no mínimo, desconforto.
Os episódios já mostraram humilhações a um mendigo, maus tratos a um idoso, uma cena de bullying entre mãe e filha, discussão de casal e preconceito contra uma nordestina. Vem mais coisa por aí, a série continua. Tudo ficção na telinha, mas que nos atinge em cheio ao assistirmos reproduções de fatos que acontecem a todo minuto enquanto trabalhamos, dormimos, estudamos e enfrentamos o nosso dia a dia tão compenetrados em nós mesmos. Portanto, tudo realidade. Difícil não acusar o golpe.
As reações são diversas: há pessoas que assistem a tudo e não se envolvem, outras vão com a cara e a coragem tirar satisfação, gente que transita sem nem perceber o que está ocorrendo a sua volta, gente que vê e faz que não vê, gente que se expõe de alguma forma, que não fecha os olhos e intervém diante de um fato que lhe causou revolta e indignação.
É na hora do medo, da surpresa, da insegurança, da dúvida, do desejo, da angústia, da ansiedade, da razão, do amor, ou seja, é no enfrentamento que descobriremos quem de nós virá à tona.
