A grama do vizinho não é tão verde
Por: Kátia Muniz cronicaskatia@live.com
Esses dias estava lendo duas reportagens que tratavam exatamente sobre o mesmo assunto: a inveja nas redes sociais.
Segundo as matérias, várias pessoas apontam o Facebook como o instigador de tal sentimento.
É fato que a rede social é o hit do momento, com números estratosféricos de usuários que a usam para os mais diversos tipos de finalidade.
Basicamente o que se vê são frases de efeito, trechos de textos (muitas vezes sem o devido crédito ou dado erroneamente), publicação de trabalhos profissionais e pessoais, receitas culinárias. Há também um trabalho social com o intuito de divulgar o desaparecimento de pessoas, jogos, entretenimento e um punhado de imagens e situações descontextualizadas, mas aí entra a questão do bom senso e isso infelizmente não são todos que têm.
Mas o pivô da inveja está nas fotos postadas pelos usuários.
Gente sorrindo, em festas, em reuniões familiares, no encontro com amigos, viajando, namorando, passeando, brincando com o animal de estimação, contando o cardápio saboroso do almoço, disponibilizando, em imagens, o último show a que assistiu.
Detalhe: todos aparentam uma felicidade gritante.
É compreensível que, diante de tantos acontecimentos, de tantas viagens nacionais e internacionais, de tanto oba-oba, você tenha a sensação de que sua vida anda mesmo sem a menor graça. E um mundo em que a aparência conta pontos e a exposição se banalizou, pode realmente fazer com que muitas pessoas percam o chão e passem a acreditar que a vida do outro é uma eterna festa.
É prudente não se deixar contaminar por esse tipo de pensamento. Nem tudo que reluz é ouro.
Entenda: Facebook é um playground para adultos. É o momento relax. Ali estão as edições dos melhores momentos da vida. São fotos selecionadas a dedo, geralmente com o melhor ângulo, a melhor pose, o melhor sorriso e, claro, o melhor momento.
Não se iluda. Estamos todos no mesmo barco, alternando alegrias e tristezas, altos e baixos.
A diferença é que no virtual costuma-se mostrar as vitórias, as conquistas, o que é capaz de impressionar, o que pode despertar desejos.
Quanto às agruras, aos medos, às angústias, às inseguranças, estas, não se alardeiam, nem merecem propagandas. Tudo isso se encara quando se desliga o computador.