Por: Katia Muniz cronicaskatia@live.com
Março, mês da mulher. Não cabemos mais em um único dia, queremos o mês cheio, queremos ser lembradas, paparicadas, agraciadas não somente no dia 08, mas em todos os dias do mês, e, se não for pedir muito, durante o ano todo.
Mês de palestras, de comemorações, de jantares, de flores recebidas, de inúmeros cumprimentos pelas nossas conquistas que não são poucas.
Mulheres que sorriem, que falam muito, que correm atrás de seus sonhos. Tudo isso foi e será muito debatido dentro do mês da mulher. O que falar então?
Não falarei da mulher verborrágica, não falarei das conquistas. Vou arriscar ir exatamente ao contrário, às avessas. Vou falar do silêncio de uma mulher.
Enquanto trabalhamos, administramos um lar e as infinitas atribuições a que nos submetemos, nos calamos. Em alguns momentos é com o silêncio que queremos dar as mãos. É com ele que gostaríamos de ficar sem sermos interrompidas.
Uma amiga, que viajou sozinha por esses dias, me confidenciou: “Viajei em minha companhia. Namorei eu mesma. Curti o que há de melhor e de pior em mim. Não dividi nada com ninguém. Permaneci em silêncio.”
É no silêncio que nos aprisionamos e nos libertamos. É no silêncio que achamos respostas para nossos questionamentos e formulamos outros. É no silêncio que conversamos com nosso eu. É no silêncio que descobrimos se continuamos ou se é hora de parar. É no silêncio que nossa alma fala. É no silêncio que pronunciamos nossas melhores palavras. É no silêncio que fazemos uma pausa, que refletimos, que damos o nosso grito de socorro. É no silêncio que rimos sozinha, que choramos, que enfrentamos nossos medos, que lidamos com nossas frustrações.
Receberemos com imenso carinho todas as felicitações, aceitaremos felicíssimas, todo o burburinho que a data provoca, mas é no silêncio, e somente nele que cada uma se renova e se encontra. Você já esteve com você hoje?
