Quando se ama muito a algo ou a alguém, é natural querermos falar sobre o assunto que nos causa tanto prazer, que nos entorpece e que é responsável por nossa euforia. E pra quem costumamos direcionar a ladainha da nossa razão de viver? Para nossa família e para os amigos íntimos.
São eles que nos aguentam e seguram a vibe. Disponibilizam tempo e vários sacos de paciência para aguentar a mesma história que já sabem de cor e salteado. Coitados!
Mas tudo aquilo que se ama em excesso, não é mais amor. É obsessão.
Não confundir com persistência, que é a vontade de fazer dar certo, continuar, prosseguir.
Obsessão é neurose. Extrapola a razão. Vira apego em excesso, compulsão, ideia fixa.
E lá estamos nós, obcecados, entregando nossa energia numa única fonte, que pode ser uma relação amorosa, um emprego, um filho.
Tornamo-nos chatos, insuportáveis, donos de um assunto só. Seguimos sem mudar o repertório, sem mudar o foco, sem enxergar outras alternativas, sem nos darmos conta do nosso comportamento.
Respiramos, vivemos, nos repetimos e viramos reféns de uma única causa. Extrapolar os limites do bom senso é o primeiro sinal de que precisamos de ajuda.
A obsessão cega, escraviza e é prejudicial à saúde.
Não raro, nos fazemos de vítimas, achando que quem nos cerca não está entendendo nosso dilema.
Entendem, sim. E, de tanto entenderem, são os primeiros que fazem soar o sinal de alerta. Uma conversa franca, um punhado de verdades ditas, alguns conselhos, merecidos puxões de orelha, costumam ter como objetivo o redirecionamento de uma trajetória, a possibilidade de um novo caminho, algo que promova o desembaçar da visão e dê início ao processo de equilíbrio.
Que a gente saiba ouvir essas pessoas que nos oferecem ajuda. Elas merecem, no mínimo, que saibamos mudar as nossas lamentações e o rumo da nossa conversa.
Diversificar faz bem para nós e para elas, que não têm a menor culpa de nos amar.
