Por: Kátia Muniz cronicaskatia@live.com
Aos poucos a gente vai se acostumando, porque, algum tempo atrás, o lazer de final de semana (principalmente o dominical) da população se resumia a ocupar cada centímetro da enorme área do Aeroparque. Era para lá que famílias inteiras, grupo de jovens e crianças se deslocavam para bater uma bolinha, jogar vôlei, fazer caminhadas, andar de bicicleta, andar de patins, fazer manobras radicais no skate, praticar saltos de paraquedas, levar o cachorrinho para passear, observar a criançada gastar energia nos brinquedos infláveis, disputar o espaço concorridíssimo na sombra das pouquíssimas árvores, conversar, acompanhar o sobe e desce dos aviões, interagir e desfrutar os momentos.
Mas, eis que o último final de semana foi atípico: um circo instalado, estreia de badalado filme infantil no cinema e espetáculo nacional no teatro. Portanto, o parnanguara tinha em mãos um cardápio de lazer que há muito, mas muito tempo, não experimentava.
E com esse agito, tudo ao redor se movimenta e ganha vida. Vende-se a pipoca, como se vende a hotelaria e a gastronomia. Assim, o comércio em geral também se impulsiona. Uma coisa puxa outra e todos ganham, se não dinheiro, entretenimento.
Que por aqui se apresentem os artistas locais, regionais e nacionais. Que nos presenteiem, com seus múltiplos talentos, nos vários segmentos, como as artes plásticas, artes cênicas, literatura, música, dança.
Que a sempre linda e formidável sétima arte esteja presente e, através da alta tecnologia, vá cada vez mais se aprimorando para trazer ao público esse fascínio em tela grande.
Aplausos ao circo, que resiste ao tempo, que enfrenta a luta diária de permanecer vivo e levar graça e magia a adultos e crianças.
Aos poucos, a gente vai descobrindo e incorporando as regras de harmonia, de educação e bom senso que cada local exige. A prática, por si só, tende a trazer benefícios e a reforçar o aprendizado.
Sabemos. Mas muitas vezes insistimos em tropeçar nos erros básicos. Portanto, no cinema, o saco de pipoca e o copo de refrigerante têm o lixo como destino. No teatro, o silêncio se faz necessário, pois o simples ato de abrir o papel de bala é captado pela acústica e flashes não devem ser disparados. E mesmo no circo, onde explicitamente há o convite para a diversão, o ingresso não nos libera a um comportamento desmedido. E sim, claro, celulares devem permanecer desligados.
Aos poucos, a gente vai ganhando novas opções de lazer que vão muito além do sofá e da televisão da nossa casa.
A população, satisfeita, agradece.
