Crônica do Dia- O amor pede afinidades

kátia-muniz2O amor pede afinidades

Por: Kátia Muniz       

“Os opostos se atraem”.

love amorNão sei quem disse essa frase que se alastra feito erva daninha, mas eu não consigo achar nenhuma graça e nenhuma lógica nela.

Nunca me senti atraída por gente que é totalmente oposta a mim.

Uma amiga me contou que bateu o olho em um determinado rapaz e gostou. Era um bom sinal mas, conforme a conversa avançava, as diferenças entre os dois causavam um curto-circuito. Ele gostava de praia, ela de campo. Ele curtia pagode, ela era fã do Coldplay. Ele queria assistir aos inúmeros telejornais, ela queria ir ao cinema. Ele dizia “a gente vamos” e ela foi mesmo, mas sozinha, porque não estava nem um pouco a fim de passar o resto dos seus dias com alguém que zerava, por completo, as possibilidades de um relacionamento tranquilo e duradouro.

O amor pede afinidades.

Encontrar alguém com quem não se precisa ter o desgaste emocional para definir um simples lugar para jantar é, no mínimo, glorioso.

Não, não bate tudo 100%. Em alguma coisa haverá divergência. Mas que esse momento seja enfrentado como um teste, como um aprendizado, como um ensinamento, uma lição de casa. Porque tudo igual, tudo do mesmo jeito também cansa e dá sono zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.

Há de se ter algumas pitadas de diferenças para incrementar a receita do relacionamento. É perfeitamente compreensível que você só coma salada enquanto ele aprecie uma boa massa. Isso não é, nem de longe, motivo para se fazer as malas e bater a porta. The end.

Diferenças nos encaminham para o amadurecimento. São necessárias e benéficas para o exercício das concessões em favor da harmonia do casal.

O amor não pede competição. Não é arena em que um quer nocautear o outro. Em que um se vê vencido por ter torturado o seu par a tal ponto que ele ceda a seus caprichos e infantilidades.

Amor pede um cardápio de compreensões.

Os opostos se atraem na Física. Funcionam com ímãs de geladeira, já com as pessoas…

Para dividir a vida e os lençóis, eu fui atrás de alguém bem parecido comigo.

Alguém que me trouxesse paz e tranquilidade. Alguém que sentisse a mesma vontade de transformar os dias em algo leve, sem excessos de neuras, de ciúmes e desconfianças. Alguém que soubesse respeitar o meu espaço e a minha vontade de abraçar o silêncio. Encontrei.

Estamos aqui, brindando 20 anos juntinhos. Enquanto ele ouve AC/DC, eu ouço Enya.

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