Mel produzido em Antonina e Guaraqueçaba recebe certificação inédita no PR

Associação de produtores locais iniciou seus trabalhos em 2007. Atividade gera renda extra sem agredir a natureza e o mel está pronto para ser comercializado

producao-de-mel-em-Baia-da-TraicaoFoi concedido, na sede da ADAPAR (Agência de Defesa Agropecuária do Paraná), o certificado de registro do Mel de Abelha Sem Ferrão – Jataí (Tetragonisca angustula), tornando a Acriapa (Associação de Criadores de Abelhas Nativas da APA de Guaraqueçaba) apta a comercializar o produto.
A medida  vai beneficiar, diretamente, 22 produtores familiares que integram a Associação e que agora poderão obter uma renda extra a partir de uma atividade que alia a conservação da biodiversidade com o desenvolvimento social e econômico.
O projeto é uma iniciativa da SPVS (Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental).
Marcelo Bosco, coordenador do projeto de Meliponicultura (criação de abelhas nativas) na SPVS, explica a importância desta certificação para a Associação. “Desde 2005, quando iniciamos o projeto, a cerificação era uma meta. Para isso, trabalhamos em conjunto com os órgãos competentes na criação de parâmetros de qualidade”, afirma.
Segundo ele, a autorização é inédita no Estado. “Durante o trabalho, percebemos uma lacuna quanto às informações sobre este tipo de produto. Os próprios órgãos do Governo foram aprendendo com os produtores e vice-versa”, diz.
Agora, a Acriapa prepara-se para submeter o mel de outras cinco espécies à aprovação do SIP (Serviço de Inspeção do Paraná)/POA (Produtos de Origem Animal). A APA de Guaraqueçaba tem 282.444,02 mil hectares e, na área usada pela Acriapa, são criadas seis espécies de abelhas.  O própolis também está em fase de aprovação para sua comercialização.
Após a cerimônia de certificação, representantes da SPVS foram apresentar o projeto no Congresso Nós Podemos Paraná, que acontece em Curitiba nos dias 05 e 06 dezembro. O projeto da Cooperguará Ecotur (Cooperativa de Ecoturismo da APA de Guaraqueçaba) também será apresentado.

Etapas
O processo para certificar o mel produzido na APA de Guaraqueçaba passou por várias etapas. Desde o início do Projeto de Meliponicultura, em 2005, os produtores familiares pensavam na comercialização do mel como meio sustentável de geração de renda.
Como parte das exigências para obter a liberação, foi preciso construir uma Unidade de Beneficiamento do Mel (UBM), chamada de Casa do Mel. A Acriapa foi a primeira instituição a ter uma UBM de abelhas nativas do Sul do Brasil. A Casa do Mel abriga a estrutura básica, tais como geladeiras, para a produção e controle de qualidade do produto.
Depois, a Acriapa iniciou o processo de criação de uma identidade visual para o produto, ao mesmo tempo em que obtinha as aprovações iniciais dos órgãos de controle.
Por fim, após várias visitas das equipes do SIP, veio a certificação que autoriza a comercialização.

O método
Apesar de já praticada por povos indígenas, a produção de mel e extrato de própolis de abelhas nativas era uma atividade pouco explorada na região. O especialista Marcelo Bosco explica a importância dessas abelhas para o ecossistema local.
“Por serem menores, as abelhas nativas polinizam flores que as abelhas africanizadas, que são espécies exóticas, não conseguem.
Além disso, esta iniciativa evita que ocorra a derrubada de árvores para a retirada dos enxames, pois as abelhas são criadas em caixas racionais, contribuindo, assim, para a manutenção das florestas”, explica.
Outra prática sustentável é a captura dos enxames em garrafas do tipo pet –  que não agride as abelhas – e são transferidos para caixas racionais produzidas por marceneiros da região, com madeira legalizada.
Ou seja, como essas abelhas nativas vivem em colônias em ocos de diversas espécies de árvores, o uso dessas iscas pet mantém a floresta em pé.

Ministros liberam R$ 10 mi para setor do turismo no Paraná

A ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e o ministro do Turismo, Gastão Vieira, assinaram ontem, termo para liberação de cerca de R$ 10 milhões para o Paraná, dentro do Programa de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur) do Governo Federal. Com a liberação do montante, o Estado deve apresentar projetos e o pagamento dos valores será feito de acordo com as execuções das obras.

Entre as prioridades estão dois grandes projetos. A implantação de Transporte Turístico Aquaviário, que contém obras de trapiches em municípios e ilhas do Litoral; base náutica em Guaratuba e Paranaguá; reforma do terminal de passageiros de Pontal do Paraná e a sinalização de balizamento e luminosa. Outro projeto importante é a implantação de sistema cicloviário nos municípios de Paranaguá, Antonina e Morretes e nos balneários de Matinhos, Guaratuba e Pontal do Paraná.

A lista de projetos, de acordo com o Plano de Desenvolvimento Integrado do Turismo Sustentável (PDITS), estima um investimento de mais de R$ 2,84 milhões na implantação do transporte aquaviário. A construção da Base Náutica Pública de Guaratuba e de Trapiches na Ilha do Mel (praia das Encantadas, Brasília e Fortaleza) e na Ilha das Peças e Superagui, envolvem recursos de R$ 892 mil e R$ 1,91 milhão, respectivamente. Já a readequação das instalações do Terminal de Pontal do Paraná vai consumir R$ 518,8 mil. Enquanto a implantação da Rota Cicloviária de Pontal do Paraná, Matinhos e Guaratuba vai dispor de mais de R$ 3,6 milhões.

STJ garante indenização a pescadores vítimas de acidente ecológico

 

 

 

Pescadores de Antonina e Paranaguá garantem indenização

A 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou dois recursos da Petrobras que ainda questionavam a indenização paga aos pescadores das baías de Antonina e Paranaguá, no Paraná, por causa do rompimento de um duto da empresa na Serra do Mar, em fevereiro de 2001. O acidente ambiental impediu a pesca na região por seis meses porque inundou rios e riachos que deságuam nas baías com óleo combustível. Oito meses depois, houve novo vazamento de substâncias inflamáveis de um navio da estatal no Porto de Paranaguá, o que fez a pesca ser proibida por mais um mês.

Cerca de três mil pescadores ajuizaram ações contra a Petrobrás e ganharam indenizações, reconhecidas pelo Tribunal de Justiça do Paraná. A maior parte dos pescadores já recebeu as indenizações por meio da execução provisória das sentenças. O pedido foi acolhido pela Justiça por conta do caráter alimentar das indenizações. Afinal, a comunidade vive da pesca, e ficou impedida de pescar.

Os advogados que aturam no caso, por sua vez, pediram o levantamento dos honorários fixados pela Justiça como pagamento pelo trabalho feito com os processos em favor dos pescadores. Para o advogado Fernando Garcia, com a decisão da 4ª Turma do STJ e o recurso repetitivo julgado em fevereiro, o direito à indenização já foi reconhecido, não havendo mais a possibilidade de mudança no mérito. “Algumas decisões, inclusive, já transitaram em julgado. Ou seja, tornaram-se definitivas. A única coisa que falta para esses títulos se tornarem definitivos é o mero carimbo do Tribunal de Justiça do Paraná de trânsito em julgado”, afirmou Garcia.

Lembrou, ainda, que o Tribunal de Justiça do Paraná já reconheceu o pagamento dos honorários, bem como pareceres já emitidos pelo Ministério Público.