Crônica do Dia

kátia munizMulheres, fardas e uniformes

Por: Katia Muniz                                                             cronicaskatia@live.com

Foto: Adriano Vizoni/Folhapress

Foto: Adriano Vizoni/Folhapress

 

Morando em uma cidade portuária, não pude deixar de reparar. Cada vez que aporta um navio da marinha para visitação, o mulherio se alvoroça.

Mas, porém, contudo, todavia, não é a pessoa do marinheiro em si que arrebata e causa entusiasmo entre as mulheres. A culpa é da farda.

Muitos terapeutas afirmam que as mulheres têm um real encantamento por fardas e uniformes. Pode ser da força aérea, da marinha, dos bombeiros, da polícia, mas não precisam ficar na alta patente. Algumas não ficam indiferentes aos médicos, dentistas e seus jalecos brancos, e muitas não deixam passar despercebido nem o macacão sujo de graxa do borracheiro sarado da esquina.

É bem provável que você já tenha se derretido por Tom Cruise, vestido de piloto em “Top Gun” e por Wagner Moura na pele do Capitão Nascimento em “Tropa de Elite”. Saindo da ficção, podemos reavivar a memória com Luma de Oliveira sucumbindo ao bombeiro Albucacys e, em 2011, com milhões de pessoas paralisadas assistindo ao casamento do príncipe William, lindo, loiro, fardado subindo ao altar com Kate.  E quando a mídia anunciou a frase dita por ele, captada através de uma leitura labial: “Você está linda!”, as mulheres ficaram hipnotizadas e congelaram diante do aparelho de televisão. Lindo, loiro, fardado e romântico. Era só o que faltava hein, meninas?

Mas vamos considerar que não é só o lado apimentado que a farda e o uniforme fazem aflorar. A vestimenta transmite sinais de proteção, segurança, admiração, virilidade, seriedade, masculinidade, disciplina, poder. Pacote completo para as mais contidas e discretas e também para as mais afoitas.

Estudos estão aí para comprovar que as fardas e os uniformes mexem com a imaginação e a libido feminina.

Muitas dizem que não. Então tá, a gente finge que acredita.

 

Crônica do Dia

kátia munizA grama do vizinho não é tão verde

Por: Kátia Muniz                                                                         cronicaskatia@live.com

Esses dias estava lendo duas reportagens que tratavam exatamente sobre o mesmo assunto: a inveja nas redes sociais.

Segundo as matérias, várias pessoas apontam o Facebook como o instigador de tal sentimento.

É fato que a rede social é o hit do momento, com números estratosféricos de usuários que a usam para os mais diversos tipos de finalidade.

Basicamente o que se vê são frases de efeito, trechos de textos (muitas vezes sem o devido crédito ou dado erroneamente), publicação de trabalhos profissionais e pessoais, receitas culinárias. Há também um trabalho social com o intuito de divulgar o desaparecimento de pessoas, jogos, entretenimento e um punhado de imagens e situações descontextualizadas, mas aí entra a questão do bom senso e isso infelizmente não são todos que têm.

Mas o pivô da inveja está nas fotos postadas pelos usuários.

Gente sorrindo, em festas, em reuniões familiares, no encontro com amigos, viajando, namorando, passeando, brincando com o animal de estimação, contando o cardápio saboroso do almoço, disponibilizando, em imagens, o último show a que assistiu.

Detalhe: todos aparentam uma felicidade gritante.

É compreensível que, diante de tantos acontecimentos, de tantas viagens nacionais e internacionais, de tanto oba-oba, você tenha a sensação de que sua vida anda mesmo sem a menor graça. E um mundo em que a aparência conta pontos e a exposição se banalizou, pode realmente fazer com que muitas pessoas percam o chão e passem a acreditar que a vida do outro é uma eterna festa.

É prudente não se deixar contaminar por esse tipo de pensamento. Nem tudo que reluz é ouro.

Entenda: Facebook é um playground para adultos. É o momento relax. Ali estão as edições dos melhores momentos da vida. São fotos selecionadas a dedo, geralmente com o melhor ângulo, a melhor pose, o melhor sorriso e, claro, o melhor momento.

Não se iluda. Estamos todos no mesmo barco, alternando alegrias e tristezas, altos e baixos.

A diferença é que no virtual costuma-se mostrar as vitórias, as conquistas, o que é capaz de impressionar, o que pode despertar desejos.

Quanto às agruras, aos medos, às angústias, às inseguranças, estas, não se alardeiam, nem merecem propagandas. Tudo isso se encara quando se desliga o computador.

Crônica do Dia

kátia munizFeche os olhos e tchibum

Por: Kátia Muniz                                                                   cronicaskatia@live.com

 Depois de uma semana puxada de trabalho, finalmente chegou o domingo. Dia de ir à piscina do clube.

Clube é clube, de Norte a Sul do país pode-se encontrar algumas modificações estruturais, para mais ou para menos, mas geralmente estão lá os guarda-sóis, as mesas, as cadeiras e as disputadas espreguiçadeiras, tudo, claro, com o número insuficiente para as pessoas que o frequentam.

Já sabendo desse grande detalhe, você que é muito esperta chega cedo para garantir seu lugar ao sol, ou melhor, debaixo do guarda-sol. Acomoda seus apetrechos, se lambuza de protetor solar, enfia um chapéu na cabeça, óculos escuros e, achando que ninguém vai reconhecê-la com todo esse disfarce, mergulha. Não na piscina, mas em um livro que anda doida para ler. “Oi querida, é você que está aí?”. Pronto. Adeus leitura. Feche o livro, pois a mulher a sua frente comeu um papagaio no café da manhã. Blá-blá-blá-blá.

As crianças começam a chegar, e o clima de colônia de férias toma conta do lugar. Alvoroçadas e elétricas, elas saltam na água espalhando-a para todos os lados. Os meninos fazem guerrinha com as pistolas de água, mas são péssimos em acertar o coleguinha que está a meio centímetro de distância, em compensação, são ótimos em acertar você que, toda respingada, tem a absoluta certeza de que a mulher repetiu o café da manhã: comeu dois papagaios.

Papai e mamãe não colaboram com o espaço físico e trazem para seus pimpolhos aquelas boias enormes em formato de jacaré, de tubarão, de joaninha, de abelha, de carrinho e de não sei mais o quê. A piscina vira uma alegoria. E mesmo que aquela criançada passe o dia ali, você não vê nenhuma se dirigir ao banheiro. Adivinhe onde elas se resolvem?

“Não se preocupe, querida. O cloro mata os germes”. Diz a mulher-papagaio.

Bateu a fome na criançada. Hora do lanche: picolé, batata-frita, cachorro-quente e refrigerante. Dali deveriam seguir todas para um exame de colesterol.

Mas você resolveu pagar os seus pecados e, às 15 horas, continua firme. Conseguiu depois de muito custo se livrar da mulher-papagaio, devorou um x-salada de almoço e percebeu que a água, que às 10 horas era transparente, agora está turva. Melhor não pensar muito sobre isso.

A piscina está apinhada de gente. Ninguém nada, porque não há espaço, então todo mundo vai se apertando ali naquele panelão de água fervente.

Mas depois de passar parte do dia derretendo embaixo do guarda-sol, resolve entregar os pontos, afinal é preciso fazer jus e aproveitar o verão que é sempre essa delícia! Fecha os olhos e corajosamente, tchibum.