Crônica do Dia com Katia Muniz

kátia-muniz2Acontece

Por: Katia Muniz

Acontece com mais frequência do que a nossa mente possa imaginar.

Acompanhe: você está aí levando a sua vida normalmente, dentro de uma rotina previsível, até que cruza o olhar com alguém.

Pronto. Sua vida pacata acaba de ganhar novos ares.

Você não sabe explicar o que aconteceu. Por que raios aquela pessoa com quem você trocou meia dúzia de palavras, anda, insistentemente, ocupando um espaço especial nos seus pensamentos.

Nunca aconteceu com quem o atende todos os dias na padaria. Nunca aconteceu no ambiente de trabalho, com quem você divide a maior parte do seu tempo. Nunca.

Mas até o nunca tem seus dias contados. Até o nunca cansa dele mesmo. Até o nunca se fragiliza, se quebra, se rompe.

E veja só, aí está você sem saber o que fazer com esse curto circuito interno. Com esses fios que se desconectaram. Com essa pane.

Acontece. Sem hora prevista, nem dia marcado.

Você pode ter 15, 20, 30, 45, 58, 72 anos. Você pode estar livre, leve e solto ou pode estar num relacionamento de anos.

Basta somente uma coisa: estar vivo.

Uma vez vivo, você sente, enxerga, ouve, deseja, pensa, fantasia.

Uma vez vivo, você está sujeito a todo tipo de emoção.

Acontece. Às vezes aparece alguém que faz um click. Que desperta algo diferente. Que faz você botar um sorriso meio bobo no rosto. Que desconcentra. Que provoca sensações que permaneciam repousadas.

Não há respostas. Não há explicações.

Por que aconteceu com você?

Não é só com você. Acontece no mundo todo.

Acontece aqui, ali, acolá.

Uns dão vazão ao sentimento despertado. Outros sufocam, abafam, prendem, reprimem, trancafiam a sete chaves.

Acontece porque você é humano e carrega um coração que pulsa dentro do peito.

Crônica do Dia, com Katia Muniz

kátia-muniz2Um brinde ao amor

Por: Katia Muniz

Sexta-feira, 12 de junho, Dia dos Namorados.

 

 

No facebook, o amor apareceu retratado nas mais variadas formas.

Fotos de casais bateram recordes. Estavam abraçados, trocando um beijo ou apenas se olhando. Com aquele olhar que só os casais apaixonados têm.um_brinde_ao_amor03

Declarações, poemas, versos pinçados.

Um dia em que a tal rede social ficou leve. Um dia em que o amor foi explorado à exaustão. Enquanto uns abriam o coração em palavras carinhosas, outros se machucavam por não ter alguém para dividir o dia e a vida. Para esses últimos, segue o meu desejo que o cupido trabalhe em horas extras e tenha pontaria certeira.

Voltando.

Diante das inúmeras fotos postadas encontrei uma que me chamou a atenção. Nela, duas taças com champanhe e entre as taças uma mamadeira azul.

Bravo!

O amor a três. O amor em família. O amor em número ímpar. O amor em construção diária. O amor na intimidade.

A foto dizia tudo sem mostrar quase nada. Deixava subtendido. Aguçava a imaginação.

Não havia rostos sorridentes, não havia mãos dadas, não havia carinhos explícitos. Ainda assim, carregada de beleza. Singela. Tocante.

Gosto dessas revelações discretas, sem muitos holofotes, sem microfones, em que as palavras certas são ditas ao pé do ouvido, tendo como plateia quem realmente interessa.

Gosto do inusitado, do que foge à regra, das surpresas, do inesperado.

Enquanto muitos casais aguardavam em filas de restaurantes por um jantar romântico com direito a um atendimento sofrível, característica das grandes datas, os autores da foto preferiram ficar em casa.

Enquanto muitos casais lotaram motéis, os autores da foto escolheram o aconchego do seu quarto e a cama que os reconhece.

Enquanto muitos casais despacharam os filhos para as casas dos parentes, buscando um momento a sós, o casal comemorou com o filho gerado.

Duas taças e uma mamadeira. Uma foto e o amor celebrado.

Crônica do Dia

kátia-muniz2Cadeados do Amor

Por: Katia Muniz

1389274981-new-call-to-clear-pont-des-arts-love-locks-in-paris_3639292Paris, Pont des Arts.

Durante muito tempo, casais do mundo todo fixavam um cadeado nos gradis da ponte como prova de amor eterno.

Resultado: o peso dos inúmeros cadeados começou a comprometer a estrutura. A prefeitura interveio e promoveu a retirada a fim de devolver a segurança aos transeuntes.

Paris, considerada uma cidade romântica, perde um símbolo do amor.

Mesmo que em silêncio, as pessoas ainda sonham com um grande amor. Aquele capaz de dar um novo sentido à vida. Aquele que provoca um novo olhar. Aquele que faz brotar um sorriso no rosto. Aquele que faz levitar.

Mas poucos se dispõem a investir em tudo que um amor solicita.

Nos dias atuais, não há muita paciência para as negociações. Discutir a relação? Pra quê. Ceder? Nem pensar. E fazer as malas nunca foi tão fácil.

Os cadeados da Pont des Arts eram uma simbologia, uma promessa de casal. Um desejo que o sentimento fosse adiante. Uma aposta do presente, no futuro.

Os cadeados eram um “Eu te amo” metalizados. Eram votos de amor eterno. Era um jeito de prender o casal e desaparecer com a chave.

Retirá-los foi uma interferência no amor alheio, uma invasão, uma intromissão, uma ruptura do desejo acordado em par.

Não sabemos se os pares que eternizaram o amor na ponte ainda estão juntos. Mas, um dia aclamaram por estar. Um dia celebraram o que os unia. Um dia sentiram a vontade arrebatadora de permanecerem juntos. Um dia sonharam com o futuro. Um dia os dois eram um só.

Mas, quem diria: o amor pesou, justamente, em Paris.

Crônica do Dia

kátia-muniz2Amar é…

Por: Katia Muniz                                                                          katiacronicas@gmail.com

Dizer que ama é fácil, o difícil é ter atitudes que comprovem esse amor.

Muitas pessoas não gostam de ficar dizendo “eu te amo” a todo momento, mas vejam só quanto empenho: agradam, fazem carinho, se fazem presentes, são compreensivas, cuidam, zelam, mantêm-se atentas, enxergam o outro, valorizam, admiram, apreciam, gostam, sentem falta, reconhecem, estimam.images

Se você pensa que estou falando de relacionamento de casal, errou feio. O relacionamento de que vou tratar aqui é do cidadão com sua cidade.

Amar a sua cidade é também zelar por ela. Se ela o acolhe como filho, não seja ingrato, devolva com atitudes positivas e de agradecimento àquela que fornece o ganha-pão de cada dia.

Quem ama sua cidade não sai na calada da noite para despejar lixo próprio em terrenos alheios. Não descarta sofás, geladeiras, gavetas, televisores em plena via pública. Não joga lixo na rua, não quebra e nem destrói o que é do coletivo.

Feliz da cidade em que moram pessoas que assumem a paternidade de seus atos. Que não ficam jogando responsabilidades que lhes cabem em colo de terceiros. Assumirmos a condição de cidadãos é o primeiro ato de amor que entregamos ao nosso município.

Cidadãos são todos aqueles que aqui moram, eu disse TODOS, portanto representantes eleitos pelo povo e a população em geral deveriam cuidar e zelar não só pelo metro quadrado que, de direito, lhe pertence, mas estender esse mesmo cuidado além do muro que o cerca. Atitude que configura, de forma clara, a educação e o respeito ao próximo.

É, no mínimo, desolador ver o patrimônio histórico abandonado, casarios sem conservação, Estação Ferroviária sem telhado, mato em crescimento fermentado, lixo acumulado em qualquer esquina.

Tapumes tentam esconder não só a degradação de construções importantes e históricas, mas a vergonha daqueles que poderiam ter feito mais em prol do coletivo e não fizeram.

Nenhum cartão postal é capaz de resistir, mesmo a natureza sendo privilegiada por essas paragens, a tanto descaso e descuido. E é fato que o verbo “conservar” é pouco conjugado por aqui.

Alguém falou em turismo?

Talvez seja prudente ressaltar que, para se receber bem, faz-se necessário arrumar, limpar e organizar a casa.

Assim como pessoas, cidades também adoecem. Não importa a idade que tenham.

Amar também é reverter o diagnóstico.

Crônica da Kátia Muniz

kátia-muniz2Mulheres, café e bate-papo

Por: Katia Muniz                                                                   katiacronicas@gmail.com

 

suzana2A amiga postou a seguinte frase em uma rede social: “Gastar tempo com aquilo que lhe der lucro emocional e não financeiro é ter um caso de amor com a vida.”

É fato que passamos boa parte da nossa vida correndo atrás do dinheiro. Com ele compramos roupas, alimentos e o que mais atender as nossas necessidades básicas.

O dinheiro compra também alguns sonhos. Uma viagem a Paris, por exemplo, ou um celular cheio de tecnologia.

Mas nada é mais arrebatador do que as emoções sentidas por atos generosos de amor. Aqueles a que a gente se entrega, se doa, se disponibiliza, se empenha.

Dia 09/05/15 é uma data que eu vou guardar, para sempre, na memória.

Agraciada com o meu nome no título de um evento, a princípio, não soube lidar direito com a situação. Tímida, com a designação recebida, enrubesci. Mentalmente, solicitei que o chão se abrisse e que eu sucumbisse na cratera que logo se abriria, quando, em voz alta, me disseram que o evento se intitulava “Café com Katia Muniz”. O chão fez pouco caso de mim, não se moveu.

O Grupo Escoteiros do Mar Ilha do Mel possui em sua sede, o Clube de Pais. Nesse evento específico, destinado somente às mulheres, por conta, principalmente, do Dia das Mães, fui chamada para falar a respeito de um tema proposto em um dos meus textos. A crônica escolhida chama-se “Conectados”, e trata da obsessão por nos mantermos o tempo todo ligados com os aparelhos de celulares e afins.

A organização contou com um número expressivo de mulheres que, não mediram esforços, arregaçaram as mangas e se propuseram a entregar o seu melhor possível. Aliás, “melhor possível” é um lema dentro do grupo.

Determinadas, decididas, concentradas, destemidas, esforçadas, entusiasmadas, encorajadas. Eram mulheres adjetivadas, unidas por um causa.

Lindo de ver tanta gente envolvida, somando atitudes, entregando-se de corpo e alma para que tudo saísse da melhor forma.

E saiu. O evento foi um sucesso pela somatória de forças, pela união e contribuição de cada pessoa que fez o encontro acontecer.

O “Café com Katia Muniz” já passou. Mas as emoções ainda continuam em ebulição, dentro de mim. Agradeci no dia e agradeço, novamente, em forma de texto.

Cada vez que me recordo da sala cheia, do bate-papo rolando solto, do café, das companhias, das fotos, sinto uma imensa alegria.

O café foi servido com empenho e estava recheado de guloseimas. Mas, a cereja do bolo ainda fica por conta de uma palavra sublime: AMOR.