Crônica do Dia: O tempo e o amor

kátia 1Por: Kátia Muniz

Diante dela, ele começou a falar:

Antes de tudo, eu quero te agradecer por ter aceitado o convite para o café.

Você não mudou nada, sabia? Ainda traz o jeito meigo, o mesmo olhar e as covinhas no canto da boca quando sorri. Exatamente do mesmo modo quando me apaixonei por você na nossa adolescência. Continue lendo

Crônica do Dia: O amor é difícil

kátia 1Por: Kátia Muniz

O queixume é recorrente: tem gente querendo amar, mas não querendo se entregar.

As modalidades variam: gente que quer amar com colete salva-vidas, morrendo de medo de um mergulho profundo nas águas do amor. Tem gente se equilibrando em cima do muro. São aquelas pessoas que não tomam a iniciativa, não dão o primeiro passo, não fazem nada. E, como sabemos, se nada fazem, nada acontece. Óbvio. Tem muita gente por aí andando com o coração acelerado, com os sentimentos aprisionados, mas com cara de paisagem, como se nada abalasse.

Ai, que preguiça que essa gente dá! Continue lendo

Crônica do Dia: Paixões em tempos virtuais

kátia 1Por: Kátia Muniz

Primeiro, chegou uma solicitação de amizade pelo Facebook.

Tudo certo. Tudo ok. Ele curte todas as postagens dela. Ela curte todas as postagens dele. Gastam preciosos minutos vasculhando as fotos e a timeline um do outro. Ela o acha interessante. Ele a acha uma mulher deslumbrante. Até que chega a hora de alguém tomar uma iniciativa. Ele se enche de coragem e a chama em mensagem privada.

Nunca se viram antes, mas a conversa flui de uma maneira tão agradável que não restam dúvidas: foram feitos um para outro.

O próximo passo é conseguir o contato do WhatsApp.  Numa velocidade supersônica, os números de cada um já estão na lista de contatos.

Ela espera ansiosa pelas mensagens dele, enquanto a recíproca também é verdadeira.

Descobrem-se com meia dúzia de afinidades, riem de bobagem, teclam desesperadamente e já pensam um no outro o tempo todo.

Diagnóstico: paixão virtual.

Os dias passam, as mensagens se intensificam até que, já não aguentando mais a ausência física, resolvem marcar um encontro.

No dia e hora combinados, eles finalmente estão frente a frente.

Instala-se um nervosismo para ambos. Atrapalham-se nos cumprimentos. Sentam-se de maneira displicente e o termo “à vontade” não recebeu convite para ocupar a mesa.

Ela o analisa com cautela: a voz poderia ser mais grave, o perfume dele não a agradou, e que raios é essa mania que ele tem de coçar o queixo a todo o momento.

Ele a analisa com malícia: os seios poderiam ser maiores, as coxas mais grossas e, nas fotos, ela não tinha todas essas manchas no rosto.

Minutos depois, conseguem travar um diálogo. O desconforto pairava no ar, e as várias pausas nas falas acarretavam um silêncio constrangedor. Estavam conscientes de que o encontro minou, de vez, toda a paixão que se instalou na proteção da tela do smartphone de cada um.

Despendem-se com um: depois te mando mensagem.

O celular dela não acusou nenhuma mensagem. O dele idem.