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Crônica do Dia: Vila Velha de ontem e de hoje
1983 – Era comum, nessa época, fazer excursão após a colação de grau. Escolhia-se o destino. Fretava-se um ônibus, devidamente pago com o dinheiro arrecadado na venda de bolos, rifas, bazares de pechincha, mensalidades.
Ganhávamos a alforria depois de alguns anos de estudo. Uma viagem com a turma, longe da patrulha dos pais e perto dos olhos de três ou quatro professores, escalados pela direção do colégio para botar ordem na garotada. Tínhamos entre 13 e 14 anos e havíamos encerrado o período ginasial.
Rumamos para o Parque Estadual de Vila Velha, pertinho de Ponta Grossa – Paraná.
Lá chegando, descemos do ônibus afoitos por aventura. Olhinhos brilhando pelo fascínio da primeira viagem com os amigos.
Recebemos um mapa com as indicações das principais esculturas feitas, pela ação do tempo, nos arenitos. Colocamo-nos a desbravar.
A sensação de liberdade gritava em cada poro. Subíamos e descíamos as pedras. Andávamos no rumo e sem rumo pelos caminhos. Falávamos sem parar. Ríamos de bobagens. Lá pelas tantas, subimos no alto das pedras, dividimos uma Coca-Cola no gargalo, comemos sanduíches (talvez os melhores de nossas vidas) e algumas bolachas recheadas para coroar o momento tão sublime.
Não há uma única foto que comprove essa viagem. Os registros ficaram arquivados na memória de cada um.
2016 – Somos levados em um ônibus, do próprio parque, até um guia. Ele nos dá uma aula rápida sobre as formações rochosas antes de seguirmos a caminhada. Visitar Vila Velha hoje é um passeio na praça. Pode ir até de chinelo, se você assim preferir. Percorre-se uma trilha calçada com pedras colocadas de forma ordenada. O grupo marcha em ritmo cadenciado numa fila indiana e ninguém ousa botar os pés fora da trilha. Proibido comer durante o trajeto. Permite-se água. Ouvimos conversas alheias, misturam-se as famílias, impossível tirar fotos sem que outras pessoas desconhecidas apareçam. Ninguém toca nos arenitos. Eles são vistos a uma distância reservada. Fizeram um mirante para se apreciar a famosa “Taça”. Na parte dos bosques é possível chegar mais perto das rochas. Elas trazem cicatrizes. Nomes, sobrenomes, datas, corações apaixonados e flechas estão esculpidas como marca de que algumas pessoas passaram por ali. São inúmeras cicatrizes de um tempo em que a informação nos chegava de forma precária ou, na maioria das vezes, nem chegava. Terminado o passeio, aguarde. Outro ônibus o levará de volta ao ponto de início. Como se vê, tudo muito civilizado. Nem de longe lembra o fuzuê da década de 80.
O Parque teve que adotar novas medidas de preservação para que as futuras gerações possam também ver e usufruir dessa maravilha da natureza.
Agora, com informação sabemos que os responsáveis estão no caminho certo. Maltratamos demais a natureza, justo ela, que nos brinda com tanta beleza. E viva a rima!
Vila Velha está enquadrada. Há regras, limites, cuidados. Guarda Ambiental em vigília. Melhor infraestrutura para receber turistas. Tudo pensado em prol dos nossos filhos, dos nossos netos, bisnetos e dos que ainda estão por vir. Eles não deixarão nenhuma marca nos arenitos, seus registros por ora, se resumem as inúmeras selfies, o que convenhamos, são bem menos agressivas.
Crônica do Dia: Ainda há salvação
Comprei um eletrodoméstico novo. A vendedora, na hora de fechar a venda, me disse: “Um dia antes da entrega, a senhora receberá do nosso departamento de estoque, no seu celular, uma mensagem lembrando-lhe que, o objeto comprado será entregue no dia seguinte. E, no dia, receberá um telefonema de nossos entregadores, informando o horário da entrega.”
Sorri de canto, com ar incrédulo. Muita organização para um Brasil tão desorganizado.
Debate na TV: Paranaguá tem ou não tem?
Crônica do Dia: Caçar
Meu amigo, minha amiga, a ordem agora é caçar.
Você precisa caçar alguma coisa para não se sentir tão fora da turma e não correr o risco de ser comparado a um alienígena.
Cace rã, cace emprego, cace um namorado ou uma namorada, cace um livro, cace um filme e cace, se você gosta, os bichinhos do tal jogo que, atualmente, virou febre. Não vá me dizer que você não sabe do que eu estou falando!
Eu também caço. Sossegue. Não se apresse com as conclusões e deixe-me completar a frase: Eu caço assuntos e palavras.
Geralmente, as pessoas tendem a achar que as crônicas saem, assim, num sopro. Não fazem ideia do quanto eu tenho que caçar. Tarefa árdua, não se iluda.
Estou o tempo todo caçando, radar ligado até que, de repente, soa o alarme dentro de mim. Pronto. Chegou o assunto, agora pode pular para a fase dois: caçar as palavras para desenvolvê-lo.
Que útil seria um aplicativo baixado no meu celular, similar a do joguinho, me avisando os pontos, na cidade, em que eu tenho que ir para me abastecer da munição necessária para o desenrolar da escrita. Em vez de “PókeStops” um “PókeWords”!
“Vire-se com o cotidiano, Kátia. E faça bom proveito”, diz a voz da minha consciência.
E foi o cotidiano e o filho pré-adolescente que me apresentaram a nova mania. Eu não me rendi, mas também não faço auê e minimizo reclamações.
Sou grata aos tais bichinhos do jogo por me fornecerem o assunto que preencheu a coluna do jornal.
Mas convenhamos, de nada adianta escrever sem ser lida. E agora vem a parte boa do meu combate: Se você leu o texto, eu capturei você. “Game over”.











