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Crônica do Dia: 25 segundos
Por: Katia Muniz
Meu filho passou a mão no telefone e ligou para o amigo. A conversa foi rápida. No final, conferiu no painel digital do telefone para saber quanto tempo levou para concluir a proeza. Veio faceiro me contar o resultado:
– Mãe, levamos 25 segundos para combinar o passeio. Por que será que as mulheres falam tanto?
Logo para quem ele veio perguntar! Nem que eu viva duzentos anos, saberei responder a essa pergunta.
Poucos dias atrás, combinei com uma amiga um cineminha. A sessão era à noite, mas, ainda assim, gastamos o dia tentando definir qual dos dois filmes em cartaz iríamos ver e, ao anoitecer, as mensagens no WhatsApp se intensificaram. Lembro bem, a última que passei para ela: “Tô saindo de casa”.
Aleluia!
Antes de começar o filme, ríamos e falávamos sem parar. Durante o filme, fazíamos comentários em sussurros, mas manter a boca fechada era algo dificílimo.
O amigo de longa data veio me visitar. Fazia quatro anos que não nos víamos. Deve ter saído zonzo e querendo me reencontrar somente daqui a duas décadas. Falei o dia todo. Afinal, como é que se atualizam quatro anos de ausência? As histórias eram muitas, as recordações do tempo do colégio eram hilárias e o blá-blá-blá correu solto.
Eu em resumo? Esqueça.
Os mais ligados a mim penam com a minha verborragia incansável.
Meu marido costuma me olhar fixo enquanto eu conto uma história. Posso imaginar o cérebro dele catando as palavras-chaves que possam sintetizar a minha ladainha, as demais ele descarta, considera excessos. Conecta-se somente naquilo que é relevante, o restante, xô, deleta.
Meus e-mails parecem cartas. Meus relatos cotidianos são longos. Minhas mensagens em áudio costumam englobar muitos minutos.
Sou assim. Em 25 segundos não consigo dizer nem meu nome completo.
Nova pré-candidatura tira votos de quem? E mais….
Coluna Informe, publicada no jornal Diário do Comércio no último dia 13
Na semana passada eu falava sobre o fiasco que vai ser para a cidade caso o Aquário chegue a ponto de ser fechado. Nesta semana, além da manifestação do governo de que, caso a empresa resolva deixar o empreendimento, o espaço não será fechado pois ficará sob a responsabilidade do Instituto Ambiental do Paraná (IAP).
Só espero que o IAP não administre com a lentidão que marcou a liberação da licença prévia do Shopping Ilha do Mel, pois depois de um ano, praticamente, esse processo andou.
Voltando ao aquário, além de saber que o fechamento poderá ser evitado, tomamos conhecimento da autorização para licitação das obras do entorno, juntamente com a reforma do Mercado do Peixe em Paranaguá. E, aos pouquinhos, quem sabe, a gente começa a ver uma luz no fim do túnel!
Pré-candidato
E mais um pré-candidato foi confirmado em Paranaguá. Leandro Klaus usou da rede social Facebook para anunciar sua vontade e disposição como pré-candidato a prefeito pelo PSDB.
No Blog da Luciane, adiantei alguns questionamentos e hoje, vou estender outros:
– Que candidatura, Leandro Klaus pode “atrapalhar”: do jovem André Pioli ou de Alceuzinho Maron?
– Há suporte para esta iniciativa, ou seja, um mentor? Ou apenas a vontade de um jovem de se dedicar a melhorar nossa cidade?
Como já disse antes, em tempos como esse, uma jornalista que comenta sobre as movimentações políticas não pode deixar de fomentar estas reflexões!
Perguntar não ofende
Onde estão os semáforos que “começaram” a ser instalados há duas semanas?
Não vi nenhum novo!
Caso algum equipamento tenha sido instalado, favor avisar porque passe em alguns dos 27 locais divulgados e nada!
Mais chance de se acidentar
Muitas regras de trânsito que servem para motoristas, também servem para os ciclistas.
Por exemplo, andar na mesma direção da via é uma norma que deve ser obedecida por aqueles que estiverem de bicicleta.
Muitos, porém, andam na contramão por achar que isso garante mais segurança, mas estudos comprovam que o ciclista que anda na contramão tem cinco vezes mais chance de sofrer um acidente.
A informação é da equipe do Departamento Municipal de Trânsito da Secretaria de Segurança.
Fica a dica.
Aliás, esta mesma informação está sendo repassada durante o trabalho de conscientização que a equipe realizada em diferentes locais de Paranaguá durante o Maio Amarelo.
Bastidores da política
Tem conversas sendo mantidas entre pessoas que até tempos atrás só se xingavam.
Mas como na política, até elefante voa, tudo é possível de acontecer.
Nem sei porque estranho algumas situações!
Reta final
Até o final de junho, as convenções partidárias deverão estar concluídas e os nomes os candidatos, assim como as possíveis coligações também estarão definidas. Então, estamos na reta final para esta etapa.Rumo à confirmação dos nomes para as eleições de 2016.
E durma com um barulho desses!
Mães e seus filhos
Vamos passar por mais um fiasco?
Eu considero um “fiasco total” algumas pessoas e algumas situações. Mas, se tivermos que anunciar o fechamento do Aquário de Paranaguá, confesso que vai ser um fiasco total da cidade.
Não vai ser um fiasco meu ou seu ou das pessoas que administram o Aquário. Será um fiasco do prefeito, do governador, dos moradores (sim, senhor) , da falta de um deputado, dos empresários, dos administradores do Aquário, dos legisladores, ou seja, um fiasco da cidade.
Realmente, é lamentável que uma cidade com a história de Paranaguá esteja tão perdida. A situação do aquário, anunciada há poucas semanas pela diretora do local, me lembrou aquele fechamento na entrada da cidade. Sem conversa, sem discussão, um dia o trecho estava fechado, no outro aberto pela população.
A situação só foi resolvida após alguém (leia-se o vereador Arnaldo Maranhão) tomar uma atitude e promover um encontro entre moradores e representantes do Dnit. No caso do Aquário, não vai adiantar discurso de ninguém se lamentando após o fechamento, enquanto o período em que se devia fazer alguma coisa (que é agora), não se fez nada!
Fiasco II
Eu, como responsável por um veículo de comunicação que é o Blog e tendo grande responsabilidade aqui no Diário do Comércio, tenho visto o cuidado que os jornalistas e comunicadores estão tendo em divulgar sobre a dengue ao mesmo tempo que reforçam sobre a necessidade de não baixar a guarda para o mosquito.
Não faço o tipo pessimista. Sou realista. Mas se chegamos a uma epidemia de dengue, com todo o povo atento e preocupado, imagina passando por esse tempinho ameno e com o frio que vem por aí, se o povo vai cuidar daquilo que é da sua responsabilidade?
Duvido?
E então, teremos mais um fiasco no final do ano com novos casos. Espero morder a língua, mas…..
Delegacia do Litoral
Está chegando o dia da inauguração da Delegacia do Litoral, uma iniciativa da diretoria do Seha- Sindicato Empresarial de Hospedagem e Alimentação.
O órgão representará os municípios de Antonina, Guaraqueçaba, Guaratuba, Matinhos, Morretes, Paranaguá e Pontal do Paraná. “Além de reforçar o nosso compromisso sindical, tem como objetivo qualificação profissional e contribuição no fortalecimento do turismo em nosso Litoral”, destacou o presidente da Seha, João Jacob Mehl.
A solenidade de inauguração acontecerá no Hotel Camboa, no dia 12 de maio, a partir das 19h30.
Capa do DC desta quarta-feira (11)
Aquário de Paranaguá pode fechar a qualquer momento
Mães, cultura, noivos e empreendimento= junto e misturado
As chatonildas querem ordem no recinto. Crônica do Dia!
Chatices de mãe Por: Kátia Muniz
O menininho estava agachado, num canto, com a cara emburrada. Levou as mãos ao rosto e secou umas tímidas lágrimas.
Aproximei-me: “O que houve com você?”
E a resposta veio de bate-pronto: “Ah, tia! A minha mãe é uma chata. Ela nem me deixa jogar no computador”.
Abandonei o piá do mesmo jeito que o encontrei, queria mesmo era encontrar a mãe dele. Precisava dar um abraço nela, ser solidária com a sua dor, dividir algumas aflições. Ela é da mesma espécie que eu, chata como eu, ou como todas nós, que fomos alçadas à maternidade.
Generalizei? Que nada, é a voz do senso comum.
Você aí, filho ou filha, tão incompreendidos nessa vida ingrata, me diga, com toda a sinceridade, quem na sua casa costuma dizer essas frases: “apague a luz, faça a tarefa, escove os dentes, penteie esse cabelo, lave esse tênis imundo, não deixe a roupa espalhada, arrume a cama, leve um agasalho, largue esse celular, junte os brinquedos, não fale alto, não coma de boca cheia, use o guardanapo, comporte-se”.
Posso ouvir, em coro: a mãe!
A mãe que, ao parir também descobre a verdadeira utilidade dos verbos no imperativo. E, pasmem, costuma usá-los o resto de sua vida.
A mãe costuma ser a chata de galochas, a chata de salto quinze, a chata maquiada, a chata descabelada, a chata que trabalha fora, a chata que trabalha dentro de casa, a chata que faz a patrulha.
Com essa chatice toda é ela que, geralmente, põe a casa para funcionar e faz a roda girar.
“Mamãe vai viajar a trabalho”. Os demais integrantes da casa recebem a notícia com uma euforia contida. Ela nem bem bateu a porta direito e todo mundo esquece que existe chuveiro, tratam de aposentar as escovas de dentes e as roupas se acumulam sujas, na área de serviço. Papai se esforça, mas faz um arroz grudento que ninguém aguenta mais. “Pai, quantos dias faltam para a mamãe voltar?”
Eis que a mamãe querida gira a maçaneta anunciando a sua chegada triunfal. Ainda entre abraços e beijos ela já dá início a lista dos famigerados verbos no imperativo.
As chatonildas querem ordem no recinto. Cuidam para que tudo funcione no eixo. Não baixam a guarda, exigem, cobram, entregam-se.
A chatice toda costuma ser mal interpretada. Mas é preciso que ajustemos o foco.
Por incrível que pareça, isso também se chama amor.
Crônica do Dia
Barulhos
Por: Katia Muniz
Votação de abertura do processo de impeachment na câmara: raros foram os deputados que usaram o seu momento de voto para o real objetivo: sim ou não. Preferiram extrapolar o tempo permitido a cada um, fazer ensaio de oratória para as próximas eleições, gritar, esbravejar, aparecer e não esqueceram de mandar beijo para a família, esta que, por sinal, também deveria ser lembrada no momento em que alguns desses mesmos deputados cometem suas falcatruas.
Lindomar Garçon, deputado do estado de Rondônia, conseguiu a proeza de aparecer mais que o presidente da mesa, Eduardo Cunha. Garantiu espaço privilegiado e passou o tempo todo flertando com a câmera de televisão. Impossível não enxergá-lo. Tínhamos um olho em quem votava e outro nele. Não arredou o pé. Parecia empalhado. Não havia expressão em seu rosto, até que uma placa pró-impeachment invadiu a frente da câmera e roubou míseros segundos de sua aparição. Aí sim, vimos Lindomar histriônico, fazendo barulho como os outros. Era o circo de horrores!
Marcela Temer: com sua beleza e com sua trança lateral, na posse presidencial em 2011, sua imagem era um bálsamo a tudo que estava ao redor e a tudo que estava por vir. Na época, não foi poupada e, recentemente, uma matéria de revista a trouxe de volta ao centro das atenções. Em pouco tempo, viralizaram os memes nas redes sociais e só se falava dela. Barulho demais para uma Marcela discreta.
Prince: sejamos francos, quase ninguém comentava sobre ele até sua morte ser anunciada no último dia 21/04. Eu fui, nostalgicamente, catapultada para a sala de cinema do antigo Santa Helena, onde assisti, nos anos 80, ao filme “Purple Rain”. O que se viu na sequência segue o ritual de praxe: notícias, notas, homenagens, fotos, músicas e clipes ressuscitados. Barulho. Nesse caso, extremamente devido. Prince era um artista e a arte merece destaque. Deve ser propagada, exaltada, explorada, fomentada, comentada, espalhada, consumida.
Consumir arte eleva, e muito, as nossas chances de melhorarmos como pessoa, de aguçar nosso senso crítico, de sermos formadores de opiniões. De quebra, a arte ainda é responsável por nos levar à fantasia, pois nada é mais prejudicial à saúde do que o excesso de realidade.
Arte é informação, é crescimento, é avanço, é cultura. E cultura serve para muita coisa, inclusive para chegarmos em frente à urna com um embasamento próprio e não nos deixarmos servir de marionetes. Com isso, seríamos poupados de inúmeros fatores que hoje, infelizmente, temos que enfrentar, como por exemplo, a de assistirmos envergonhados os deputados eleitos por nós, transformarem um momento histórico e sério em um celeiro de vaidades.
Ajuda também a não nos incomodarmos tanto com a vida do outro. Deixar que as mulheres belas, recatadas e do lar sigam seu curso. A propósito, o que há de errado com essas três características? Eu respondo: nada.
Que a arte nos invada, nos preencha e nos dê discernimento para lidarmos com os barulhos em excesso.







