Reeleição, mulher na política e mais candidatos na lista

3.0- Luciane ChiarelliReeleição: prefeito kersten ou não kersten?

Eis a questão!

Dias destes ouvi um burburinho. Uma conversa entre médicos deixava claro que a volta do prefeito para o consultório em tempo integral era certa.

Mas outros burburinhos, mais altos até, chegaram dando conta de outra situação. Muitas conversas com partidos e correligionários da base do prefeito, mostraram que o ex-vereador de Paranaguá e atual prefeito, o mesmo que pegou ‘pepinos’ como aquário fechado, entre outros,  vai mesmo ser candidato à reeleição.

E ele tem, a partir de agora, 10 meses para mostrar o que fez, na busca pelo voto, ou sairá do cenário político e continuará sendo um bom médico na cidade.

Nenhuma mulher na disputa?

Não pergunto por ser mulher, mas, principalmente, porque há tantas mulheres no poder, sejam como secretárias municipais, Chefe de Núcleo, temos uma vice-governadora no Paraná, a presidente da República, juízas, promotoras públicas mandando e desmandando, mostrando que sabem lidar com o poder e realizar, acontecer.

Então por quê não as vejo sendo lembradas para disputa das eleições municipais?

Uma mulher, como candidata a prefeita de Paranaguá, pode ser a opção que falta ao eleitorado parnanguara.

O que acha?

Pesquisa eleitoral

Na última coluna, comentei que a pesquisa feita recentemente em Paranaguá não colocava o vereador Ricardo como candidato e questionei o motivo.

Porém, olhando os papéis com mais atenção, verifiquei que um dos cenários abordou, sim, o nome dele. Ricardo confirmou que é pré-candidato pelo PP à Prefeitura de Paranaguá e que nem pensa em candidatar-se a vereador mais uma vez.

Não faltarão opções

Pode faltar nomes femininos na lista, mas Paranaguá não vai sofrer por falta de candidato a prefeito na eleição de 2016.

O filiado do PSL, Sukita, também me confirmou que é pré-candidato a prefeito nesta semana e busca alianças. Além dele, outro nome novo circulando nos bastidores foi de Lindolfo Júnior, pelo PTC.

Desse jeito, o que não faltará para a eleição do ano que vem, será nome de candidato.

Cá entre nós, sempre algum candidato leva vantagem com tantas opções!

Furada amarga

Uma simples furada de fila poderá ter desdobramentos amargos. O furo de uma “certa” fila aconteceu na semana passada, em Paranaguá, provocando prejuízos significativos.

E a furada pode se tornar amarga, falta quem queira levar o assunto para outras esferas, inclusive Brasília, depende tudo de uma das partes dar o sinal verde porque com certeza não é doce como o açúcar!

Barbas de molho

Está em ebulição um movimento de “impeachment”. Alguém já pode deixar as barbas de molho, mesmo que não faça o tipo barbudo.

Convenção estadual

Delegação de Paranaguá promete comparecer em peso na Convenção Estadual do PDT que vai acontecer, em Curitiba, no dia 28 de novembro. Ciro Gomes, liderança nacional, estará presente.

Coluna Informe publicada no Jornal Diário do Comércio da última sexta-feira, 20/11/15

Crônica do Dia com Katia Muniz

kátia-muniz2Vai passar

Por: Katia Muniz

De volta aos bancos escolares.

Tudo novo, tudo mágico, tudo grandioso, tudo assustador.

Informações novas, matérias diversificadas, professores-doutores, conteúdo intenso e extenso. É preciso derrotar o monstro que começa a tomar forma e tamanho.

O coração se expande com amigos novos. Dividem agonias, cansaço, lamúrias e algumas histórias de vida, no apertado e cronometrado momento de intervalo.

Cidade grande costuma virar gigante quando quem a percorre tem pouca estatura.

Metrópole cinza, concretada, prédios altos. Pessoas. Muitas pessoas com seu ritmo apressado, firme, envolvidas com seus problemas e suas telas de iphones e smartphones. Arrancar-lhes um sorriso é tarefa árdua. Talvez o frio, por natureza, os tenha empacotado.

Carros, buzinas, vidros fechados, trânsito caótico. Para os pedestres o sinalizador indica o bonequinho vermelho: PARE! Todos os transeuntes automaticamente viram estátuas. Bonequinho verde, passagem liberada. Há um batalhão que atravessa junto. A sensação de estar sendo perseguido é constante. Estar sozinho é um luxo.

Barulho. Poluição sonora e visual. Panfletos entregues por mãos automatizadas oferecem desde curso de informática até os serviços de videntes que prometem fazer você encontrar o tão sonhado e perseguido “amor”.

Fila para comprar uma caixinha de chicletes, para comprar pão, para pegar o elevador, para receber a nova apostila do cursinho. Outra? Mais uma? Mais matéria?

Come-se qualquer coisa, bebe-se muita água e café. Ansiedade e estresse descontados na comida elevam o ponteiro da balança.

A serra que liga uma cidade a outra é linda! Não há dúvidas. Mas olhos cansados não enxergam mais a beleza, e a rotina exaustiva suplica a necessidade de fechar as pálpebras enquanto se faz o trajeto.

Horas infinitas dentro da condução. Certa noite, acidente na estrada com mortes anunciadas. Madrugada gelada, garoa fina. Pista liberada. São três horas da manhã quando fechadura e chave se reencontram para o giro magnânimo.

Desaba-se na cama. Não há sonho que se firme em poucas horas de sono. Não é possível atingi-lo na sua plenitude. Sonho com direito a começo, meio e fim é algo perdido no sono não repousante.

Alguém diz: “Vai passar. Ainda sentirá saudades dessa época”.

Enquanto não passa sente saudades da paz, do sossego e do silêncio que tão bem lhe cabem e a confortam.

Crônica do Dia com Kátia Muniz

kátia-muniz2Corações ocupados

Por: Katia Muniz

Fossem os dois livres, viveriam o amor na sua plenitude, no seu deslumbramento, na sua intensa vontade de se mostrar ao mundo.

Mas eis que o amor nem sempre respeita corações ocupados.

Há uma infinidade de pessoas com corações ocupados, o que não significa, em hipótese alguma, que estejam preenchidos.

Existem trincas nos corações ocupados. Desfilam por aí com suas lacunas, seus sulcos, suas fendas, suas brechas.

Um coração com fissuras reconhece outro.

E lá vem o amor bater à porta. Tocar a campainha. Clamar por entrar.

Lá vem o amor que não reconhece as regras de etiqueta. Que não espera convite. Que é espaçoso e folgado.

Lá vem o amor carregado de paixão, de desejo, de fantasias, de sonhos.

Lá vem ele para sacudir a vida monótona, sufocada em afazeres e responsabilidades.

Lá vem ele apresentando um outro mundo, uma outra vida, uma palheta de possibilidades.

Lá vem ele desnorteando a racionalidade, batendo palmas para os impulsos, festejando o brilho nos olhos.

Lá vem ele para fazer você levitar, ter taquicardia, transportar você para um espaço que reconforta, que traz o colo que há tempos era procurado.

Mas coração e razão são inimigos mortais.

Entram no ringue, disputam, batem, promovem dores, cicatrizes, machucados.

O juiz avisa que, dessa vez, a razão venceu.

E lá se vão os dois derrubando lágrimas no escuro, agonizando nas noites insones.

A razão puxa para a realidade, que é o palco dos corações mutilados.

Seguem. Cada um para um lado, sem poder soltar o grito interno que reverbera e habita os inúmeros corações ocupados.

Crônica do Dia com Kátia Muniz

kátia-muniz2Que horas ela volta?

Por: Katia Muniz

Se você ainda não ouviu falar de Anna Muylaert eu informo: ela assina a direção do filme “Que horas ela volta?”.

O longa já ganhou prêmios nos festivais de Sundance, nos Estados Unidos, de Berlim, na Alemanha e disputa uma indicação ao Oscar.

A película trata da relação patrão/empregada.

Torceu o nariz? Destorça.

Se você me acompanha aqui, na coluna, sabe que eu arrasto um caminhão por temas do cotidiano e, nesse quesito, o filme bebeu da fonte.

Regina Casé interpreta Val, a empregada. Sua atuação é IM-PE-CÁ-VEL! Assim mesmo, em maiúsculas e com separação silábica, reforçando o tom pausado. A atriz conseguiu engavetar o sotaque carregado de “s” e fez surgir um outro: o nordestino. Na medida, sem nenhum exagero. Nem de longe lembra a apresentadora dominical do Programa Isssssssquenta.

Não há paisagens exuberantes no filme. Mas o retrato fiel de uma São Paulo concretada. Muitos prédios vistos pelos olhos da personagem, enquanto se desloca nos  vários ônibus que utiliza para ir e vir. Está lá também a obediência cega aos patrões, a qual lhe garante o emprego e o quartinho nos fundos da casa.

Uma cena? A que a empregada serve os convidados numa festa sem que nenhum deles a encare. Ela é invisível diante deles.

Podemos acusar o golpe?

Será que costumamos cumprimentar o gari ou a servente que trabalha dentro dos banheiros nos shoppings ou eles também são invisíveis para nós?

O filme destaca e reforça a diferença social que delimita o “cada um no seu quadrado”.

Há cenas comoventes, cenas com humor, cenas do dia a dia e um pedido: um olhar mais atento e humanizado para a Maria, a Raimunda, a Janicleide ou qualquer outro nome que conste no RG daquelas que cuidam da nossa casa e, muitas vezes dos nossos filhos, enquanto saímos em massa para o mercado de trabalho. Elas, literalmente, possuem identidade.