Crônica do Dia: “Kashmir”

kátia-muniz2Por: Kátia Muniz

Sim, eu sei. Não sou nada criativa na hora de dar títulos aos meus textos. Não considero, porém, que isso seja uma falha. Vejo como um facilitador.

Se vou comentar sobre um filme a que assisti, há 100% de chance de a crônica levar o mesmo nome. Assim foi com: “Booyhood”, “Birdman”, “Antes do amanhecer”, “A teoria de tudo”, para citar alguns. Continue lendo

Crônica do Dia: Mais uma do Face

cortar-salvar-foto-perfil-facebookPor: Kátia Muniz

No supermercado, cruzou comigo e não me reconheceu. Não que tivéssemos alguma intimidade, mas, esses dias, recebi dela uma solicitação de amizade, via Facebook. Achei que pela minha foto de perfil, ela me reconheceria.

Eu, que tenho memória fotográfica, identifiquei-a de imediato. Abri um sorriso largo que murchou um segundo depois ao perceber que fora negligenciado.

Contei o episódio para uma amiga e ela me veio com essa: “É normal. Fotos de perfis, no Face, geralmente, recebem uma melhor atenção, um trato. Mas, no dia a dia, a realidade é outra”.

Para isso também servem os amigos: dizer verdades.

Fui averiguar o meu perfil e xeretear outros tantos. Descobri que a galera facebookiana gosta de caprichar. Nos perfis, somos capas de revista.

Cabelo ajeitado, mulheres maquiadas, melhor ângulo, melhor pose e estamos prontos para receber os “likes”. Continue lendo

Crônica do Dia: Cássia

foto-01-lg-34645ca4Por: Kátia Muniz

Com os músicos já posicionados no palco, uma voz solicita, de maneira insistente, que todos desliguem os celulares. Trocando em miúdos: não era permitido filmar e tirar fotos sem a prévia autorização da produção. Tiraram o pirulito da boca das crianças, em pleno mês de outubro. Como é que a gente fica sem celular e sem contar para ninguém o que estaríamos prestes a vivenciar nas próximas duas horas? Continue lendo

Crônica do Dia: Tudo ao seu tempo

kátia-muniz2Por: Kátia Muniz

A leitura de um determinado livro estava vinculada a uma futura prova sobre o tema. A turma era de crianças entre 10 e 11 anos.

Uma mãe, atenta, leu antecipadamente. Sentiu-se incomodada. Não pelo livro em si, mas pelo fato do assunto a ser trabalhado não parecer adequado à faixa etária das crianças.

A história retrata o início do namoro entre uma menina e um menino de 11 anos e meio. A autora relata o primeiro beijo do casal, com riqueza de detalhes. Conforme o relacionamento avança há a descrição de toques no corpo e as sensações provocadas.

Livros não trazem na capa a classificação de idade. Ainda contamos com o bom senso e o cuidado dos pais e da escola na escolha dos temas a serem entregues aos filhos e aos alunos.

O colorido de alguns livros e as ilustrações com características infantis também não nos livram de averiguar se o conteúdo proposto cabe ou não àquela idade.

Sabemos muito bem que há um avanço precoce da garotada. Soltas diante da televisão, das redes sociais e da parafernália tecnológica, elas acabam pulando etapas.

E a pergunta que não quer calar é: devemos nós, pais e educadores, incentivar esse avanço?

O assunto é polêmico e divide opiniões.  Existe o grupo que patrulha com veemência e mantém os olhos atentos a tudo que envolve as crianças e há os que encaram com certa naturalidade a precocidade que adentrou a infância.

Outro dia, recebi por e-mail, um link do jornal O Globo. A matéria falava justamente sobre essa literatura, digamos, mais apimentada, que invadiu parte do mercado editorial, e que está sendo vorazmente consumida por um público que não é aquele a quem os livros se destinam.

Em um trecho, a educadora Tânia Zagury, afirma o seguinte: “A sociedade se preocupa com a venda, não com a qualidade. Se os livros não passarem pelo crivo dos pais, o conhecimento que seria uma benesse se torna um problema.”

Toque aqui, Tânia.

Ao desempenhar o papel de pais, ainda nos cabe o critério de seleção do que é ou não apropriado aos nossos filhos. Não há necessidade de incentivar o que já anda, naturalmente, de maneira tão acelerada. E também não precisamos absorver como certo e verdadeiro tudo que nos é apresentado.

Que o ato de educar não perca o freio e o rumo e, que cada etapa seja vivida dentro do seu devido tempo.

Crônica do Dia: Desacreditados

desacreditadosPor: Kátia Muniz

As eleições batem à porta. Toc, toc, toc.

Realmente, acho lindo quem tem o poder da oratória. Quem segura o microfone e consegue fazer jorrar as palavras, sem perder a linha de raciocínio. Não pigarreia, não gagueja, não titubeia, não demonstra insegurança. Tem a fala firme, dá ênfase às frases de efeito, sobe e desce a voz num balé, tecnicamente ensaiado. As mãos não tremem, os olhos se mantêm firmes encarando aqueles que têm potencial para lhe entregar votos na urna. Inegável o poder de convencimento, que quase me pegam. Eu disse quase. Sou arisca. Continue lendo

Crônica do Dia: Gratidão

Jornal Diário do Comércio, Rádio Ilha do Mel e Blog da Luciane representados nesta foto e no texto, junto com a Kátia Muniz

Jornal Diário do Comércio, Rádio Ilha do Mel e Blog da Luciane representados nesta foto e no texto, junto com a Kátia Muniz

Por: Kátia Muniz

Comecei a escrever para preencher o tempo. Levei na brincadeira, na esportiva. Era um hobby. Deve ser bom para exercitar o cérebro, pensei. Sinceramente, nem sabia direito o que estava fazendo. Vários textos foram armazenados no meu computador à espera de que eu criasse a coragem para mostrá-los a alguém.

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Crônica do Dia: Obsessão

obsessoesPor: Kátia Muniz

Quando se ama muito a algo ou a alguém, é natural querermos falar sobre o assunto que nos causa tanto prazer, que nos entorpece e que é responsável por nossa euforia. E pra quem costumamos direcionar a ladainha da nossa razão de viver? Para nossa família e para os amigos íntimos. Continue lendo

Crônica do Dia: Vila Velha de ontem e de hoje

ponta-grossaPor: Kátia Muniz

1983 – Era comum, nessa época, fazer excursão após a colação de grau. Escolhia-se o destino. Fretava-se um ônibus, devidamente pago com o dinheiro arrecadado na venda de bolos, rifas, bazares de pechincha, mensalidades.

Ganhávamos a alforria depois de alguns anos de estudo. Uma viagem com a turma, longe da patrulha dos pais e perto dos olhos de três ou quatro professores, escalados pela direção do colégio para botar ordem na garotada. Tínhamos entre 13 e 14 anos e havíamos encerrado o período ginasial.

Rumamos para o Parque Estadual de Vila Velha, pertinho de Ponta Grossa – Paraná.

Lá chegando, descemos do ônibus afoitos por aventura. Olhinhos brilhando pelo fascínio da primeira viagem com os amigos.

Recebemos um mapa com as indicações das principais esculturas feitas, pela ação do tempo, nos arenitos. Colocamo-nos a desbravar.

A sensação de liberdade gritava em cada poro. Subíamos e descíamos as pedras. Andávamos no rumo e sem rumo pelos caminhos. Falávamos sem parar. Ríamos de bobagens. Lá pelas tantas, subimos no alto das pedras, dividimos uma Coca-Cola no gargalo, comemos  sanduíches (talvez os melhores de nossas vidas) e algumas bolachas recheadas para coroar o momento tão sublime.

Não há uma única foto que comprove essa viagem. Os registros ficaram arquivados na memória de cada um.

2016 – Somos levados em um ônibus, do próprio parque, até um guia. Ele nos dá uma aula rápida sobre as formações rochosas antes de seguirmos a caminhada. Visitar Vila Velha hoje é um passeio na praça. Pode ir até de chinelo, se você assim preferir. Percorre-se uma trilha calçada com pedras colocadas de forma ordenada. O grupo marcha em ritmo cadenciado numa fila indiana e ninguém ousa botar os pés fora da trilha. Proibido comer durante o trajeto. Permite-se água. Ouvimos conversas alheias, misturam-se as famílias, impossível tirar fotos sem que outras pessoas desconhecidas apareçam.  Ninguém toca nos arenitos. Eles são vistos a uma distância reservada. Fizeram um mirante para se apreciar a famosa “Taça”. Na parte dos bosques é possível chegar mais perto das rochas. Elas trazem cicatrizes. Nomes, sobrenomes, datas, corações apaixonados e flechas estão esculpidas como marca de que algumas pessoas passaram por ali. São inúmeras cicatrizes de um tempo em que a informação nos chegava de forma precária ou, na maioria das vezes, nem chegava. Terminado o passeio, aguarde. Outro ônibus o levará de volta ao ponto de início. Como se vê, tudo muito civilizado. Nem de longe lembra o fuzuê da década de 80.

O Parque teve que adotar novas medidas de preservação para que as futuras gerações possam também ver e usufruir dessa maravilha da natureza.

Agora, com informação sabemos que os responsáveis estão no caminho certo. Maltratamos demais a natureza, justo ela, que nos brinda com tanta beleza. E viva a rima!

Vila Velha está enquadrada. Há regras, limites, cuidados. Guarda Ambiental em vigília. Melhor infraestrutura para receber turistas. Tudo pensado em prol dos nossos filhos, dos nossos netos, bisnetos e dos que ainda estão por vir. Eles não deixarão nenhuma marca nos arenitos, seus registros por ora, se resumem as inúmeras selfies, o que convenhamos, são bem menos agressivas.

Crônica do Dia: Ainda há salvação

Untitled-design-19Por: Kátia Muniz

Comprei um eletrodoméstico novo. A vendedora, na hora de fechar a venda, me disse: “Um dia antes da entrega, a senhora receberá do nosso departamento de estoque, no seu celular, uma mensagem lembrando-lhe que, o objeto comprado será entregue no dia seguinte. E, no dia, receberá um telefonema de nossos entregadores, informando o horário da entrega.”

Sorri de canto, com ar incrédulo. Muita organização para um Brasil tão desorganizado.

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Crônica do Dia: Caçar

RMIs0gkPor: Kátia Muniz

Meu amigo, minha amiga, a ordem agora é caçar.

Você precisa caçar alguma coisa para não se sentir tão fora da turma e não correr o risco de ser comparado a um alienígena.

Cace rã, cace emprego, cace um namorado ou uma namorada, cace um livro, cace um filme e cace, se você gosta, os bichinhos do tal jogo que, atualmente, virou febre. Não vá me dizer que você não sabe do que eu estou falando!

Eu também caço. Sossegue. Não se apresse com as conclusões e deixe-me completar a frase: Eu caço assuntos e palavras.

Geralmente, as pessoas tendem a achar que as crônicas saem, assim, num sopro. Não fazem ideia do quanto eu tenho que caçar. Tarefa árdua, não se iluda.

Estou o tempo todo caçando, radar ligado até que, de repente, soa o alarme dentro de mim. Pronto. Chegou o assunto, agora pode pular para a fase dois: caçar as palavras para desenvolvê-lo.

Que útil seria um aplicativo baixado no meu celular, similar a do joguinho, me avisando os pontos, na cidade, em que eu tenho que ir para me abastecer da munição necessária para o desenrolar da escrita. Em vez de “PókeStops” um “PókeWords”!

“Vire-se com o cotidiano, Kátia. E faça bom proveito”, diz a voz da minha consciência.

E foi o cotidiano e o filho pré-adolescente que me apresentaram a nova mania. Eu não me rendi, mas também não faço auê e minimizo reclamações.

Sou grata aos tais bichinhos do jogo por me fornecerem o assunto que preencheu a coluna do jornal.

Mas convenhamos, de nada adianta escrever sem ser lida. E agora vem a parte boa do meu combate: Se você leu o texto, eu capturei você. “Game over”.